- Acidente na Rodovia Raposo Tavares (SP-270) resultou na morte de Diego Rodrigues, de 35 anos.
- Policiais investigam se foi um caso de feminicídio seguido de suicídio, pois o casal enfrentava processo de separação.
- A esposa de Diego, Sara Letícia Antunes Oliveira Rodrigues, de 25 anos, foi encontrada morta em sua residência.
- O interior paulista registrou 78 feminicídios entre janeiro e abril de 2026, um aumento de 71,1% em comparação ao mesmo período do ano passado.
O que inicialmente parecia ser apenas um grave acidente de trânsito na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), em Itapetininga, ganhou contornos ainda mais trágicos e passou a ser investigado pela Polícia Civil como um possível caso de feminicídio seguido de suicídio.
Na manhã de terça-feira (16), Diego Rodrigues, de 35 anos, morreu após colidir frontalmente o veículo que dirigia contra uma carreta no quilômetro 185 da rodovia. Segundo informações da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o automóvel invadiu a pista contrária antes da batida. O motorista da carreta relatou à polícia que foi surpreendido pelo carro vindo em sua direção e não teve tempo de evitar o impacto.
Com a força da colisão, o veículo ficou completamente destruído. Diego morreu ainda no local e precisou ser retirado das ferragens pelas equipes de resgate. VEJA IMAGENS DO ACIDENTE:
Enquanto os policiais tentavam localizar familiares para informar sobre a morte do motorista, um novo e chocante fato veio à tona. Parentes tentaram entrar em contato com a esposa dele, Sara Letícia Antunes Oliveira Rodrigues, de 25 anos, mas não conseguiram localizá-la.
Preocupado com a situação, o irmão da jovem foi até a residência do casal, na Vila Asem, e decidiu pular o muro do imóvel. Dentro da casa, encontrou Sara morta sobre a cama do quarto.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima apresentava um profundo ferimento no pescoço e estava cercada por uma grande quantidade de sangue. O corpo já apresentava sinais de rigidez cadavérica. A jovem estava envolta em tecidos, com o rosto coberto, deixando apenas os cabelos à mostra. Familiares ainda tentaram prestar socorro, mas ela já não apresentava sinais vitais.
As investigações apontam que o casal enfrentava um processo de separação e que, justamente na terça-feira, assinaria os documentos do divórcio. Segundo o delegado Luiz Henrique Nunes, responsável pelo caso, a principal linha investigativa considera que Diego não aceitava o fim do relacionamento.
Outro elemento que reforça essa hipótese é o fato de o filho do casal, de apenas um ano de idade, ter sido deixado sob os cuidados da avó paterna pouco antes dos acontecimentos.
"Diante dos indícios reunidos até o momento, trabalhamos com a possibilidade de um feminicídio seguido de suicídio. No entanto, a investigação ainda está em andamento e todas as circunstâncias serão devidamente apuradas", afirmou o delegado.
A Polícia Científica realizou perícias tanto na residência onde Sara foi encontrada quanto no local do acidente. Laudos técnicos e demais diligências deverão esclarecer a cronologia dos fatos e confirmar a dinâmica do caso.
A ocorrência foi registrada como feminicídio e está sendo investigada pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itapetininga.
O caso reacende o alerta para a violência contra a mulher. Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo mostram que o interior paulista registrou 78 feminicídios entre janeiro e abril de 2026, um aumento de 71,1% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 45 ocorrências.