O caso que iremos abordar não se trata de um roteiro de filme, enredo de livro ou algo fictício. Trata-se da vida real e de mais um caso de feminicídio registrado no estado de São Paulo, mais precisamente em São José do Rio Preto, no interior paulista.
Uma mulher de 28 anos, identificada como Carolyne Cristina Ferreira, foi encontrada morta dentro do quarto da própria casa, onde morava com o companheiro. Segundo informações, o corpo foi localizado pelo sogro da jovem.
De acordo com as apurações, após o crime o suspeito fugiu do local, mas acabou sendo localizado por moradores da região horas depois. Ele foi detido no início da tarde e encaminhado à polícia. Antes da chegada das equipes policiais, o homem chegou a ser contido e agredido por populares.
O casal mantinha um relacionamento há cerca de seis anos. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na casa da família do suspeito. Ele já possui antecedentes criminais por violência doméstica e roubo.
Ainda conforme a apuração, Carolyne havia registrado um boletim de ocorrência contra o companheiro cerca de duas semanas antes de ser morta, relatando agressões físicas, ameaças e episódios recorrentes de violência. Na ocasião, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência, determinando o afastamento do agressor.
Apesar disso, a vítima teria decidido retomar o relacionamento e voltou a morar com o suspeito há poucos dias, o que antecedeu o crime. A motivação do assassinato ainda é desconhecida.
O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio, e a Delegacia de Defesa da Mulher deve ouvir testemunhas e analisar o histórico de violência doméstica envolvendo o casal.
VÍTIMA RELATOU AGRESSÕES
Duas semanas antes de ser assassinada a facadas, Carolyne Cristina Ferreira procurou a Polícia Civil de São José do Rio Preto para denunciar uma série de agressões físicas, ameaças e episódios de violência doméstica praticados pelo companheiro, com quem mantinha um relacionamento havia cerca de oito anos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no dia 17 de janeiro, a vítima relatou que tentava encerrar a relação havia aproximadamente seis meses, período em que as agressões teriam se intensificado. Segundo o relato, o homem era usuário de drogas, tornava-se agressivo com frequência e a submetia a constantes violências físicas e psicológicas.
Entre os episódios descritos, Carolyne afirmou que o companheiro tentou enforcá-la com um fio e, em outra ocasião, colocou uma almofada sobre seu rosto, dificultando sua respiração. Ela conseguiu se desvencilhar e escapar. Ainda segundo o boletim, o agressor costumava ameaçá-la com frases como: “se você não for minha, não será de mais ninguém”.
A vítima também contou à polícia que o homem dizia possuir uma arma de fogo. Embora não tivesse visto o armamento, afirmou temer pela própria vida, já que o companheiro possuía antecedentes criminais e, segundo ela, teria facilidade para conseguir armas. Carolyne relatou ainda ter sofrido queimaduras de cigarro no rosto, que deixaram marcas visíveis, além de xingamentos, humilhações e agressões constantes.
Na madrugada do registro da ocorrência, o agressor teria usado um martelo para golpeá-la no rosto, braços e mãos. A vítima só conseguiu deixar a residência após a passagem de uma viatura da Polícia Militar pela rua. Naquele momento, ela estava na calçada enquanto o suspeito permaneceu dentro da casa com o celular. Os policiais entraram no imóvel, conversaram com o homem e acompanharam Carolyne para que ela recolhesse alguns pertences antes de se mudar para a casa do pai.
Diante da gravidade das agressões e do medo de novas violências, Carolyne solicitou uma medida protetiva de urgência, que foi concedida pela Justiça. Ela também foi orientada a buscar atendimento médico em razão das lesões sofridas.
Apesar da medida protetiva, a vítima acabou retomando o relacionamento. Poucos dias antes do crime, ela voltou a morar com o companheiro, desta vez em um quarto na casa do pai dele, no bairro Estância Alvorada.
Na manhã de segunda-feira (2), o homem deixou a residência dizendo ao pai que iria procurar emprego. Pouco tempo depois, estranhando a ausência da nora, o pai entrou no quarto e encontrou Carolyne caída no chão, já sem vida, com ferimentos de faca nas costas e no abdômen.