A investigação sobre a morte de Paulo Matheus, de 16 anos, atingido por um disparo na zona sul de São Paulo, ganhou um novo desdobramento com a responsabilização do pai do adolescente que efetuou o tiro. O homem se apresentou à Polícia Civil, nesta quinta-feira, após mais de 24 horas após o ocorrido, confessou ser o dono da arma utilizada e acabou sendo indiciado por omissão de socorro, fraude processual, homicídio culposo por não agir para evitar a tragédia, porte ilegal de arma de fogo e por negligência na guarda da arma. A polícia solicitou sua prisão preventiva, mesmo após ele ter sido liberado.
De acordo com a Polícia Civil, após o disparo que matou o jovem na garagem de uma residência no Jardim Ângela, o pai deixou o local levando o filho de carro, sem prestar auxílio imediato à vítima. Paulo chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital do M’Boi Mirim, mas não resistiu aos ferimentos.
Em depoimento, o homem afirmou que havia orientado o filho a pegar dinheiro guardado sobre um armário, onde o revólver estava escondido. Antes da tragédia, os adolescentes teriam tirado fotos ostentando a arma e o dinheiro para publicar nas redes sociais. A polícia apura as circunstâncias em que o menor teve acesso ao armamento.
Segundo as investigações, o pai já possui antecedentes por porte ilegal de arma de fogo, algo considerado primário para o histórico do homem. A arma utilizada no disparo estava carregada com cinco munições e um espaço vazio no tambor. O adolescente alegou que acreditava ter deixado o tambor alinhado na posição sem bala, mas o revólver acabou disparando. VEJA O MOMENTO:
Além do pai, duas tias do adolescente também foram indiciadas por não prestarem socorro imediato após o incidente.
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial, no Capão Redondo, e segue sob investigação. O adolescente foi apreendido por ato infracional análogo ao crime de homicídio e encaminhado à Fundação Casa, onde deve passar por audiência de custódia. A família da vítima cobra justiça e aguarda o avanço das apurações para que todas as responsabilidades sejam definidas.
ADVOGADO FAZ ALERTA
O advogado da família da vítima, Roberto Guastelli, usou as redes sociais para fazer um alerta aos pais dos adolescentes que usam as redes sociais de maneira desregulada. Segundo Guastelli, após o adolescente pedir dinheiro ao pai e o homem dar instruções de onde estava guardado, a arma foi localizada e após isso, os três adolescentes, incluindo a vítima, começaram a fazer fotos e vídeos com o dinheiro e a arma.
“O que mais me chamou a atenção desse caso, foi a motivação para o crime. Isso tudo para postarem nas redes sociais uma brincadeira. Então, tomem cuidado com o que seus filhos estão fazendo com o celular, é muito arriscado e infelizmente esses influenciadores, ditos influenciadores, não estão influenciando para nada, pelo contrário, influenciam para o mal”, alerta Roberto.
POLÍCIA PEDE INTERNAÇÃO DE JOVEM QUE ATIROU ACIDENTALMENTE
A Polícia Civil solicitou a internação do adolescente de 16 anos que matou um amigo da mesma idade com um disparo de arma de fogo na zona sul de São Paulo. O caso aconteceu na garagem da casa da avó do jovem que efetuou o tiro e provocou comoção entre familiares e amigos da vítima.
De acordo com as investigações, os dois adolescentes manuseavam um revólver quando ocorreu o disparo. A hipótese inicial de que eles participavam de uma roleta-russa foi descartada pela polícia. Em depoimento, o jovem afirmou que não houve intenção de matar e que acreditava ter deixado o tambor alinhado justamente na posição sem munição. A arma, no entanto, estava carregada com cinco balas e um espaço vazio, e acabou disparando.
O adolescente se apresentou à delegacia acompanhado de uma advogada e foi apreendido. Ele deverá passar por exames no Instituto Médico Legal (IML) antes de ser encaminhado à Fundação Casa, onde ficará à disposição da Justiça para audiência de custódia.
A vítima morreu ainda no local. O velório reuniu familiares e amigos, que lamentaram a perda precoce. A mãe do adolescente morto manifestou profunda dor e indignação diante da tragédia.