A morte do carioca Rafael de Castro Pereira, de 33 anos, dentro do próprio apartamento na Liberdade, região central de São Paulo, ganhou novos contornos com a prisão do principal suspeito. Mais do que um caso de violência urbana, a investigação revela uma sequência de decisões e circunstâncias que culminaram em um crime tratado pela polícia como latrocínio — roubo seguido de morte.
A Polícia Civil prendeu, na segunda-feira (23), Carlos Guilherme de Almeida da Conceição, conhecido como “Perninha”. Segundo os investigadores da Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco-Centro), ele é o homem que esteve com Rafael nas horas que antecederam o crime.
Em conversa com a Coluna do Padula, o delegado Ronald Quene Justiniano, disse que o suspeito confessou a autoria.
“Já há um robusto acervo probatório esclarecendo os fatos. Aguardamos apenas os laudos para finalizar o caso, que já está devidamente esclarecido”, afirmou. Ele também confirmou que o investigado possui antecedentes, a maioria ainda da adolescência.
ENTENDA O CASO
Policiais militares foram acionados inicialmente para atender uma ocorrência de suposto suicídio, mas encontraram um cenário completamente diferente.
Ao entrarem no apartamento, os agentes sentiram um forte odor e perceberam que o local estava revirado. No quarto, o corpo de Rafael foi encontrado de bruços, sem roupas, com pés e mãos amarrados e coberto por peças de roupa. Havia sinais evidentes de violência, indicando espancamento.
A perícia apontou ainda sinais de arrombamento na porta de entrada e a presença de ferramentas no imóvel. Gavetas abertas, objetos fora do lugar e a ausência de itens pessoais reforçaram a hipótese de roubo.
Entre os objetos levados estavam o celular e a bicicleta da vítima, posteriormente encontrados com o suspeito. VEJA O MOMENTO QUE O SUSPEITO DEIXA O APARTAMENTO COM AS COISAS DA VÍTIMA:
AMIGA RELATA ÚLTIMOS MOMENTOS
Na noite de terça-feira (17), ele saiu com amigos, incluindo uma amiga próxima, Raimunda Jovana dos Santos Souza. Após passarem por um bar na região do Glicério, Rafael voltou para casa acompanhado da amiga.
Por volta das 4h30 da madrugada, ele desceu ao térreo do prédio e retornou com um homem desconhecido — descrito como baixo, de cabelo cacheado, barba rala e vestindo roupas claras. Mesmo sem conhecê-lo, Rafael o convidou para subir. VEJA O MOMENTO QUE A VÍTIMA SOBE COM O SUSPEITO:
Cerca de meia hora depois, a amiga foi embora, deixando os dois no apartamento. Essa foi a última vez que Rafael foi visto com vida. Na tarde do dia seguinte (18), ele ainda trocou mensagens e confirmou que o visitante permanecia no local.
AMIGA ENCONTROU O CORPO
Já na noite de quinta-feira (19), após horas sem resposta, a amiga decidiu ir até o apartamento acompanhada de outro amigo.
Ao abrir a porta, encontrou o ambiente revirado e sentiu um cheiro forte. No quarto, sob roupas espalhadas, estava o corpo de Rafael. Uma vizinha relatou à polícia ter visto um homem deixando o apartamento na noite anterior, por volta das 19h, após ouvir barulhos na porta. VEJA A REPORTAGEM DO CASO EXIBIDO NO PROGRAMA "RONDA", COM WELLINGTON ALENCAR:
QUAL A LINHA DE INVESTIGAÇÃO?
Inicialmente tratado como possível latrocínio, o caso avançou rapidamente com a identificação do suspeito.
Segundo o delegado Quene, não há indícios de que o crime tenha sido premeditado por meio de aplicativos de relacionamento, apesar de a vítima ter o hábito de conhecer pessoas por essas plataformas.
“O encontro foi casual, na rua. O autor foi convidado pela própria vítima para entrar na residência”, explicou.
A polícia agora aguarda apenas a conclusão dos laudos periciais para finalizar o inquérito.