O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, pediu à Justiça a revogação da prisão preventiva. Nesta quarta-feira (7), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou contra a soltura do oficial, que está preso desde março.
A defesa argumenta que não haveria mais risco de interferência na instrução processual e que o militar poderia responder ao processo em liberdade. A Promotoria, porém, considerou que os argumentos apresentados não justificam a revogação da prisão.
MPSP aponta possível influência sobre testemunhas
A promotora Ingrid Maria Bertolino Braido afirmou que Geraldo Neto não apresentou circunstâncias fáticas ou processuais que justificassem a liberdade. O MPSP também citou um episódio mencionado durante o interrogatório do oficial, realizado na segunda-feira (5).
Segundo a Promotoria, Geraldo admitiu ter tentado entrar em contato com Sheila Aparecida Magrini, policial militar e amiga de Gisele, por meio de ligações feitas ao batalhão. Para o órgão, o episódio reforçaria o risco de eventual interferência sobre testemunhas caso o réu seja colocado em liberdade.
O MPSP também avaliou que medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes e se posicionou pela manutenção da preventiva.
Família de Gisele também pede manutenção da prisão
O advogado José Miguel da Silva Junior, que representa os pais de Gisele como assistente de acusação, também pediu que a prisão preventiva seja mantida. Segundo a defesa da família, a patente e os contatos acumulados pelo oficial poderiam facilitar uma eventual tentativa de interferência no processo.
Gisele morreu com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. Desde então, Geraldo Neto sustenta que a morte ocorreu por suicídio. A acusação, entretanto, sustenta a ocorrência de feminicídio.
Laudos mencionados no processo apontaram, segundo informações divulgadas sobre o caso, vestígios que seriam incompatíveis com a hipótese de suicídio. O oficial também apresentou versões diferentes durante os depoimentos sobre circunstâncias posteriores ao disparo, incluindo questões relacionadas a banho, uso de sabonete e barba.
Geraldo Leite Rosa Neto permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. O caso segue em tramitação na Justiça.