- Rafael Oliveira Braga foi assassinado em março do ano passado na zona Oeste do Rio de Janeiro.
- Investigadores consideram o caso como um dos mais graves relacionados à violência no estado.
- Comerciantes são obrigados a adquirir produtos de distribuidoras ligadas a grupos criminosos, sob ameaças e retaliações.
- A Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados às empresas investigadas.
O comerciante Rafael Oliveira Braga foi assassinado em março do ano passado, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Mais de um ano depois, o caso voltou a ganhar destaque após ser citado por investigadores como um dos episódios mais graves relacionados à violência. Segundo as apurações, o homicídio aconteceu após a vítima se recusar a adquirir farinha de trigo de empresas ligadas à milíica.
As investigações reveleram que o esquema obriga comerciantes a adquirir produtos de distribuidoras ligadas a grupos criminosos. Proprietários de padarias relatam que deixaram de ter liberdade para escolher fornecedores.
Segundo relatos obtidos durante a investigação, a imposição não se limita à escolha do fornecedor. Comerciantes afirmam que recebem quantidades maiores do que as solicitadas e são obrigados a ficar com a mercadoria. Quem tenta descumprir as regras pode sofrer ameaças e retaliações.
A exploração do mercado da farinha tem impacto direto em um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros: o pão francês. Donos de estabelecimentos afirmam que passaram a pagar mais caro por produtos de qualidade inferior, o que acaba sendo repassado ao consumidor final.
PRISÕES
Na última quarta-feira (3), a Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados às empresas investigadas. Em um dos depósitos, os agentes encontraram produtos fora da validade e prenderam um homem em flagrante.