- Investigação revela esquema de venda de conteúdos de abuso sexual infantil por redes sociais.
- Criminosos usam contas de terceiros para evitar rastreamento e receber pagamentos.
- Preços variam de R$ 10 a R$ 20, com acesso "vitalício" a conteúdo ilegal.
- Telegram e TikTok removem conteúdo e banem contas envolvidas em atividades ilegais.
- Denúncias podem ser feitas por meio de canais como Disque 100 e WhatsApp do Ministério da Mulher.
Uma investigação conduzida pelo G1 revelou um esquema criminoso envolvendo a venda de conteúdos de abuso sexual infantil.
A apuração aponta que a captação dos interessados é feita pelo Tik Tok já as negociações entre a rede criminosa e os compradores são articuladas no Telegram.
Para não deixar rastro, os criminosos utilizam contas de terceiros para receber os valores. Algo que chama atenção é que os conteúdos de abusos são tipificados desde incestos até estupros.
CONTA DE TERCEIROS
Em um dos casos, o criminoso garante ao um possível comprador que a transação não será rastreada porque ele estaria utilizando a conta de terceiros, a qual ele chamou de “menina”.
As investigações apontam que a rede criminosa usa as contas bancárias de ex-namoradas e até das próximas vítimas para impedir o rastreamento.
“Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk", afirmou o criminoso.
O criminoso que disse usar a conta de "uma menina" também informou como chave PIX um endereço de e-mail com final "@estudante.rs.gov.br".
TABELA DE PREÇOS
Os pacotes pelos conteúdos criminosos são vendidos a partir de R$10. Um dos canais monitorados pelo G1 vendia diversos tipos de pacotes que custavam entre valores como US$ 25 (cerca de R$ 130), US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo.
Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Por R$ 20, o grupo oferece acesso "vitalício", segundo o anúncio.
MANIFESTAÇÃO DAS EMPRESAS
- Telegram
A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026.
Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo.
Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma.
O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety”
- TIK TOK
Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens.
Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas).
Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma.”
BUSQUE AJUDA
- Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato;
- Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes;
- Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
- Qualquer delegacia de polícia;
- Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
- Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer a notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
- Ministério Público;
- Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras)