- Daniel Sikkema foi condenado à prisão perpétua por planejar e financiar o assassinato do ex-marido, morto em 2024 no Rio de Janeiro.
- Ex-marido contratou cubano para matar Brent durante processo de divórcio e realizou 11 pagamentos para financiar o plano.
- Crime ocorreu em 14 de janeiro de 2024, com 18 facadas, e o executor foi preso pela polícia brasileira quatro dias depois.
- Júri federal condenou Daniel em maio de 2026, após julgamento de duas semanas em Nova York.
- Investigação envolveu FBI e autoridades brasileiras, com colaboração da Polícia Civil e Ministério Público Federal.
Daniel Sikkema, ex-marido do galerista Brent Sikkema, foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos por planejar e financiar o assassinato do marchand, morto a facadas em janeiro de 2024, no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
A sentença foi anunciada na quarta-feira (4) pelo Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Aos 56 anos, Daniel já havia sido considerado culpado, em maio deste ano, pelos crimes de homicídio por encomenda, conspiração para cometer homicídio por encomenda e conspiração para cometer assassinato em outro país.
Ex-marido contratou homem para executar o crime
Segundo a acusação, Daniel contratou o cubano Alejandro Triana Prevez para matar Brent durante um processo de divórcio conturbado. A Justiça americana concluiu que o ex-marido planejou e financiou o assassinato.
De acordo com a Procuradoria dos Estados Unidos, Daniel começou a negociar a execução do crime com Prevez ainda em 2023. Para financiar o plano, realizou 11 pagamentos destinados ao executor e a uma pessoa com quem ele mantinha um relacionamento em Cuba.
A investigação também apontou que Daniel utilizou os nomes de amigos, funcionários e parentes, sem o conhecimento deles, para ocultar a origem das transferências.
Brent Sikkema, de 75 anos, era um importante galerista de Nova York e fundador da galeria Sikkema Jenkins, conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker. Ele costumava permanecer em uma residência que possuía no Rio de Janeiro.
Galerista foi morto com 18 facadas no Rio
O crime aconteceu em 14 de janeiro de 2024, quando Brent foi assassinado dentro de sua residência, no Jardim Botânico. Segundo a acusação apresentada nos Estados Unidos, Alejandro Triana Prevez desferiu 18 facadas contra o galerista.
A promotoria americana afirmou que, poucos minutos depois do assassinato, Prevez realizou várias ligações para Daniel por meio de um número secreto utilizado pelos dois para tratar do plano.
Ainda segundo a acusação, pouco depois do crime, Daniel transferiu secretamente US$ 5 mil ao executor e prometeu realizar outros pagamentos.
Prevez foi preso pela polícia brasileira quatro dias após o homicídio. Em depoimento, afirmou ter recebido US$ 9 mil para cometer o assassinato. O processo contra ele continua em andamento na Justiça brasileira.
Durante o julgamento nos Estados Unidos, a defesa de Daniel sustentou que os pagamentos eram referentes a trabalhos realizados por Prevez.
Júri considerou Daniel culpado em maio
Daniel Sikkema foi considerado culpado por um júri federal em 22 de maio de 2026, após um julgamento que durou duas semanas em Nova York.
Na ocasião, a procuradora federal assistente Meredith Foster afirmou aos jurados que Daniel havia encomendado e financiado o assassinato do ex-marido, além de manipular outras pessoas para executar o plano.
Antes do julgamento, a defesa sustentava a inocência de Daniel. Após a divulgação do veredicto, sua equipe jurídica não informou se apresentaria recurso contra a condenação.
Investigação teve participação do FBI e de autoridades brasileiras
As investigações conduzidas nos Estados Unidos contaram com a participação do FBI e a colaboração de autoridades brasileiras.
Entre as instituições envolvidas estavam a Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público Federal no estado, que contribuíram para a apuração do assassinato do galerista.