O homem encontrado morto, decapitado e com o corpo queimado em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari, nesta terça-feira (3), foi identificado como Dante de Brito Michelini, de 76 anos. Ele havia sido um dos réus no caso do assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em 1973, e acabou absolvido pela Justiça anos depois.
A identificação foi confirmada por um irmão da vítima, que esteve na propriedade onde o corpo foi localizado. Segundo relatos, uma testemunha estranhou o desaparecimento do dono do sítio e, ao ir até o local, encontrou a estrutura destruída pelo fogo e o corpo no interior. A Polícia Civil trata o caso como homicídio, mas a causa da morte ainda é investigada. Até o momento, a cabeça não havia sido encontrada.
QUEM ERA A VÍTIMA
Apesar do reconhecimento feito pela família, a polícia informou que a confirmação oficial só ocorrerá após o resultado do exame de DNA. Dante pertencia a uma família tradicional do Espírito Santo — seu avô, que tinha o mesmo nome, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo dos anos, os Michelini evitaram falar com a imprensa sobre o caso Araceli.
Dante foi um dos três principais acusados pela morte da menina, que tinha apenas 8 anos quando foi sequestrada, dopada, violentada, assassinada e teve o corpo carbonizado em Vitória. Em 1980, ele chegou a ser condenado, mas a decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
RÉUS ABSOLVIDOS
Após nova análise, que durou cerca de cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas, e o crime acabou sem punições. Em memória de Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, por meio da Lei Federal nº 9.970/2000.