- Daiana Gisele Müller pediu medida protetiva contra ex-marido 12 dias antes de ser encontrada morta em Ipira.
- A mulher acionou botão do pânico no dia da morte, mas foi encontrada submersa em riacho próximo à casa.
- Ex-companheiro foi preso após se apresentar à polícia e é investigado por feminicídio e descumprimento de medidas judiciais.
- Laudo pericial deve determinar causa da morte e horário do óbito, com suspeita de que tenha ocorrido menos de uma hora após o acionamento do botão.
- Santa Catarina registra aumento de 10,5% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período de 2025.
Daiana Gisele Müller, de 38 anos, pediu uma medida protetiva de urgência contra o ex-marido, Lorinei Morais, 12 dias antes de ser encontrada morta em Ipira, no Oeste de Santa Catarina. A mulher também acionou o botão do pânico no dia em que morreu, segundo a Polícia Militar (PM). O ex-companheiro foi preso após se apresentar à polícia e é investigado por feminicídio.
O pedido de proteção foi feito após Daiana registrar um boletim de ocorrência por ameaça contra o ex-marido. Mesmo com a medida judicial em vigor, a mulher foi encontrada morta em um riacho próximo à casa onde morava, na região conhecida como Linha Capelinha.
Após o acionamento do botão do pânico, uma viatura foi enviada com urgência ao endereço da vítima. No local, os policiais encontraram o imóvel arrombado e, nas proximidades, localizaram o corpo de Daiana submerso em um riacho.
Um laudo pericial deverá determinar a causa da morte e o horário exato do óbito. A suspeita é de que a mulher tenha sido morta menos de uma hora após pedir socorro.
Lorinei foi preso depois de se apresentar ao pelotão da Polícia Militar em Presidente Castello Branco, município vizinho a Ipira. Em depoimento, ele permaneceu em silêncio. O investigado é pai dos dois filhos de Daiana, de 8 e 13 anos.
Daiana pediu proteção após registrar ameaça
Segundo o delegado Vinicius Ferraz, responsável pela investigação, Daiana procurou a delegacia da cidade para registrar um boletim de ocorrência por ameaça e solicitar uma medida protetiva contra o ex-marido.
A Justiça deferiu o pedido e determinou que Lorinei não mantivesse contato com a vítima e respeitasse uma distância mínima de 100 metros dela.
O delegado afirmou que a investigação busca esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve descumprimento das medidas judiciais.
"As investigações prosseguem para o esclarecimento integral das circunstâncias do fato, entre elas o meio empregado e a observância das medidas protetivas então vigentes. Confirmado que o crime foi praticado em descumprimento das medidas deferidas, incide a causa de aumento prevista no artigo 121-A, parágrafo 2º, inciso IV, do Código Penal, com elevação da pena de um terço até a metade", disse o delegado.
Especialista destaca importância das medidas protetivas
A advogada Tammy Fortunato, especialista em questões de gênero, afirmou que as medidas protetivas são importantes para prevenir novas agressões e reduzir o risco de casos mais graves de violência contra a mulher, incluindo o feminicídio.
“É algo simples, mas tem muita força de proteção à mulher que está em situação de violência. Se tem uma medida protetiva, é porque já teve uma violência. E essa medida protetiva é justamente para evitar que aconteça uma violência futura".
A medida protetiva de urgência é uma determinação judicial que pode impor restrições ao agressor, como o afastamento da vítima e a proibição de contato. Já o botão do pânico, disponibilizado pelo programa Rede Catarina de Proteção à Mulher, da Polícia Militar de Santa Catarina, permite que mulheres atendidas pelo programa acionem as forças de segurança em situações de risco.
Em nota divulgada na terça-feira, a Polícia Civil de Santa Catarina reforçou que possíveis violações de medidas protetivas devem ser comunicadas às autoridades. Em emergências, a orientação é ligar para o 190. Denúncias também podem ser feitas pelo 181.
Santa Catarina registra alta nos casos de feminicídio
Santa Catarina registrou aumento de 10,5% nos casos de feminicídio em comparação com o mesmo período de 2025.
Entre 1º de janeiro e 15 de outubro de 2026, foram confirmadas 42 mortes de mulheres motivadas por violência de gênero no estado. No mesmo intervalo do ano anterior, haviam sido contabilizados 38 casos.