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Mulher é morta após reclamar que viatura atingiu seu marido em São Paulo

Caso ocorreu após viatura atingir marido da vítima; policial foi afastada e investigação apura circunstâncias do disparo

A mulher foi morta por policial em abordagem violenta na Zona Leste de São Paulo | Foto: Reprodução
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Uma mulher foi morta a tiros após discutir com uma policial militar na madrugada da última sexta-feira (4), na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, depois que uma viatura teria atingido seu marido. A vítima, identificada como Thawanna Salmázio, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), que informou o afastamento da agente envolvida.

Discussão após abordagem

De acordo com imagens e áudios captados por câmeras de segurança, a confusão começou após o retrovisor de uma viatura da Polícia Militar atingir o marido da vítima, que caminhava ao lado dela. Logo após o ocorrido, Thawanna questionou os policiais:

“vocês bateu em nós aqui, hein”

A discussão seguiu fora do alcance das câmeras, mas ainda é possível ouvir novas falas, incluindo uma voz feminina dizendo:

“Tá ficando maluca?”

Na sequência, um disparo de arma de fogo é registrado.

VEJA O VÍDEO:

Socorro e denúncia de omissão

Após o tiro, moradores relataram movimentação intensa no local, com pedidos por socorro. Segundo familiares, a vítima teria permanecido por cerca de 40 minutos no chão, gritando de dor, enquanto aguardava atendimento.

O marido, Luciano Santos, afirmou que os policiais não acionaram socorro imediato e teriam impedido que terceiros ajudassem. Ele também relatou ter sido rendido durante a ocorrência.

Outras imagens mostram Thawanna caída, já ferida, enquanto um agente aponta uma arma em sua direção. Familiares ainda denunciam que houve uso de spray de pimenta contra pessoas presentes no local.

Investigação e afastamento

A policial militar Yasmin Ferreira foi afastada das funções, teve a arma apreendida e é alvo de investigações. O caso é apurado por meio de um Inquérito Policial Militar e também pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em nota, a SSP-SP informou que:

“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias.”

A secretaria também destacou que imagens de câmeras corporais e laudos periciais já foram incorporados ao inquérito.

Comoção e protestos

A morte de Thawanna gerou forte comoção na comunidade. Ela deixou cinco filhos menores de idade e foi descrita por familiares como uma pessoa “muito alegre”.

O velório ocorreu sob clima de tristeza e revolta. Um familiar relatou:

“O velório aconteceu e está todo mundo muito triste. No caso do Luciano, ele é marido dela há três anos e está sofrendo muito, ele viu o que aconteceu”.

O caso também provocou protestos na região, com moradores bloqueando vias e ateando fogo em objetos. A Polícia Militar utilizou balas de borracha e gás de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Apuração em andamento

As investigações seguem para esclarecer as circunstâncias do disparo, a conduta dos agentes e o atendimento prestado à vítima. O caso continua sob análise das autoridades, com acompanhamento das corregedorias e órgãos responsáveis.

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