SEÇÕES

Operação mira executivo ligado ao Master e diretor do Banco Genial

Ação cumpre 27 mandados em sete estados contra grupo que mascarou compra de usina e distribuidora de combustíveis.

Ver Resumo
  • GAECO e Receita Federal deflagram terceira fase da Operação Carbono Oculto, investigando lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis.
  • A ação cumpre mandados em sete estados e envolve executivos do mercado financeiro e empresários acusados de ocultar patrimônio e controlar a Tobras Distribuidora.
  • Investigação aponta uso de fundos e empresas atípicas para estruturar a aquisição da Terrana e ocultar recursos, com mais de R$ 120 milhões circulando por contas de passagem.
  • Operação busca aprofundar a estrutura financeira envolvida na compra da distribuidora e esclarecer a participação de todos os investigados, incluindo uso de "laranjas".
Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução
Siga-nos no

Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados e investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionada ao setor de combustíveis e à aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

Segundo o GAECO, a investigação aponta a participação de executivos do mercado financeiro na estrutura que teria sido utilizada para assumir o controle da distribuidora e ocultar patrimônio.

Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. Também participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a Secretaria da Fazenda de São Paulo e as polícias Civil e Militar.

Executivos são alvos das buscas

Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos. Freixo firmou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

O GAECO aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”, como supostos chefes da organização investigada. Os dois, porém, não estão entre os alvos de busca desta fase.

Investigação aponta estrutura financeira

Segundo o Ministério Público, o grupo investigado teria criado uma estrutura financeira e societária para assumir o controle da Terrana e ocultar patrimônio por meio de fundos de investimento, empresas e operações financeiras consideradas atípicas.

Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., constituídas meses antes da aquisição da distribuidora. O GAECO sustenta que a operação de compra teria sido estruturada por meio dessas empresas e fundos criados especificamente para a transação.

Mais de R$ 120 milhões teriam circulado

De acordo com a investigação, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas usadas como “contas de passagem” antes de os recursos chegarem à estrutura responsável pela aquisição da Terrana. Entre as empresas citadas estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.

As suspeitas são baseadas, segundo o GAECO, em relatórios do Coaf, documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial, análises de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores.

Investigação aponta uso de “laranjas”

Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam, segundo o Ministério Público, a utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para ocultar os supostos controladores dos ativos e da distribuidora.

A terceira fase busca aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira utilizada na aquisição da Terrana e esclarecer a participação de cada um dos investigados.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP