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Pastor Márcio Poncio é preso em operação que mira Máfia do Cigarro

Ação da Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão e investiga supostas ligações com esquema de lavagem de dinheiro e jogo do bicho

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  • Pastor e empresário Marcio Poncio foi preso durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela PF.
  • Operação também cumpriu mandados contra Adilson Oliveira Coutinho Filho e ex-deputado Rodrigo Bacellar.
  • Investigação aponta ligações de Poncio com a "Máfia do Cigarro" e esquema de lavagem de dinheiro.
  • Ministro Alexandre de Moraes expediu ordens judiciais e determinou bloqueio de bens dos investigados.
  • Operação faz parte da ADPF 635, que busca combater organizações criminosas e suas ligações com agentes públicos.
Pastor Marcio Poncio | Foto: Instagram/Reprodução
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O pastor e empresário Marcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação também cumpriu mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.

As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Além das prisões, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos está o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Investigação

Marcio Poncio foi localizado em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Conhecido por atuar como pastor da Igreja da Nuvem e por sua presença nas redes sociais, ele também é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio.

Segundo a Polícia Federal, Poncio é investigado por supostas ligações com a chamada "Máfia do Cigarro", organização que teria como principal liderança Adilsinho.

De acordo com a corporação, esta etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro supostamente comandado pelo contraventor, além de apurar possíveis conexões da organização criminosa com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da Polícia Federal (Foto: Reprodução/TV Globo)

Rodrigo Bacellar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu para uma unidade prisional federal. Alexandre de Moraes também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 22 milhões.

A operação integra as medidas determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que estabeleceu, entre outras providências, a atuação da Polícia Federal em investigações sobre organizações criminosas violentas e suas possíveis ligações com agentes públicos no Rio de Janeiro.

ENTENDA

A quinta fase da Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, realizada em junho de 2021 para investigar o monopólio do comércio ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Na ocasião, Adilsinho já era alvo das investigações, mas não foi localizado. Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu planilhas que continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.

Segundo os investigadores, os documentos indicam possíveis repasses de recursos a agentes políticos do Rio de Janeiro. As apurações apontam que ao menos 20 políticos passaram a ser investigados por suspeita de receber pagamentos periódicos atribuídos ao grupo criminoso.

Adilsinho foi preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após ser localizado por meio de monitoramento realizado com drones.

Operação

A Operação Unha e Carne foi iniciada em dezembro de 2025 para apurar um suposto vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra integrantes do Comando Vermelho.

Segundo a Polícia Federal, os dados teriam sido compartilhados de forma ilegal, comprometendo operações e beneficiando investigados ligados à facção criminosa.

A primeira fase teve como principal alvo o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, acusado de vazar informações da Operação Zargun, deflagrada contra o Comando Vermelho. De acordo com as investigações, o principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção.

Ainda segundo a PF, o vazamento teria permitido a destruição e ocultação de provas importantes para as investigações.

Na segunda fase, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é de que ele tenha repassado informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as encaminharia a TH Joias.

As investigações apontam mensagens, registros telefônicos e indícios de proximidade entre o magistrado e o ex-deputado, sugerindo uma possível troca de favores.

TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj (Foto: Reprodução/ Divulgação)

Já na terceira fase, Rodrigo Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Nessa etapa, a Polícia Federal passou a relacionar diretamente o caso às determinações da ADPF 635, sustentando que as condutas investigadas poderiam comprometer o combate ao crime organizado.

A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, Macário Júdice Neto e outros investigados por suposta atuação em uma rede de proteção institucional ao crime organizado.

Na quarta fase da operação, realizada em maio deste ano, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso sob suspeita de comandar um esquema de fraudes em licitações e contratos para aquisição de materiais e realização de obras na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).

Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram indícios de direcionamento de contratações em escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc para empresas previamente escolhidas e ligadas ao esquema investigado.

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