- Policia Federal inaugura laboratório de geoquímica forense em Brasília para identificar origem geográfica de ouro apreendido.
- Tecnologia ajuda a verificar autenticidade de notas fiscais e combater fraudes na cadeia de comercialização do metal.
- Programa Ouro Alvo desenvolve metodologias para comprovar crimes de lavagem de ouro e dinheiro, com apoio de mais de 100 padrões de jazidas.
- Extração clandestina de ouro causa impactos ambientais e sociais, como contaminação de rios e riscos à saúde de comunidades tradicionais.
- Novo laboratório reduz prazo de análises de ouro de dois anos para dois meses, facilitando investigações e combate ao crime organizado.
A Polícia Federal (PF) inaugurou o Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral, estrutura científica capaz de identificar a origem geográfica de cargas de ouro apreendidas, sediado no Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. A tecnologia permite verificar a autenticidade de notas fiscais e reconhecer fraudes na cadeia de comercialização do metal.
O laboratório integra o programa Ouro Alvo, criado para desenvolver metodologias periciais que ajudem a comprovar crimes relacionados à lavagem de ouro e de dinheiro.
Tecnologia ajuda a identificar fraudes
O gerente do programa Ouro Alvo, Gustavo Gaiser, explicou que a iniciativa começou com pesquisas voltadas ao desenvolvimento de métodos capazes de verificar se o ouro comercializado e a documentação que acompanha o material são legítimos.
Segundo ele, a estrutura também busca qualificar a Polícia Federal para investigar crimes financeiros relacionados à comercialização ilegal do metal.
A extração clandestina de ouro também provoca impactos ambientais e sociais. A atividade pode contaminar rios com substâncias tóxicas e comprometer a saúde de comunidades tradicionais, como destacou o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf.
O secretário relatou experiências em territórios Yanomami e Munduruku, onde acompanhou projetos de monitoramento de mercúrio. Ele chamou atenção para os efeitos da contaminação na alimentação das comunidades, que ficam expostas a riscos ao consumir peixes dos rios próximos.
Ouroteca reúne padrões de jazidas
Financiado com cerca de R$ 50 milhões do Fundo Amazônia, o parque tecnológico utiliza um banco de dados geológico para comparar lotes de ouro apreendidos. A chamada Ouroteca já reúne mais de 100 padrões de jazidas brasileiras, além de amostras internacionais.
O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, destacou que a tecnologia reduziu o tempo necessário para a realização das perícias. Antes, as análises podiam levar cerca de dois anos, devido à dependência de parcerias e agentes externos. Com a nova estrutura, o prazo caiu para aproximadamente dois meses.
Segundo a Polícia Federal, a identificação mais rápida da procedência do ouro deve contribuir para o avanço das investigações, enfraquecer o poder econômico do crime organizado e oferecer mais garantias aos exportadores legais brasileiros no mercado internacional.