- PF prende homem acusado de fornecer armas e operar financeiramente para Comando Vermelho no Suriname.
- Operação Red Fox visa desarticular estrutura financeira e logística da facção criminosa em ações transnacionais.
- Homem investigado movimentava mais de R$ 150 milhões em operações ligadas ao financiamento de atividades criminosas.
- Companheira do investigado é acusada de atuar na logística financeira e realizar viagens ao Suriname em períodos suspeitos.
- PF identificou uso de empresas de fachada, PIX e contas de passagem para ocultar origem de recursos ilícitos.
A Polícia Federal (PF) prendeu, neste fim de semana, um homem apontado como fornecedor de armas e operador financeiro do Comando Vermelho (CV) durante uma ação realizada no Suriname. A operação, batizada de Red Fox, teve como objetivo desarticular a estrutura financeira e logística transnacional da facção criminosa. A companheira do investigado também foi presa por suspeita de atuar no suporte logístico e financeiro do grupo. Segundo a PF, o homem é investigado por movimentar mais de R$ 150 milhões em operações ligadas ao financiamento de atividades criminosas.
Operação mirou estrutura financeira da facção
De acordo com as investigações, o suspeito atuava na região de fronteira e seria responsável por movimentações financeiras destinadas à compra de armamentos para o Comando Vermelho. A Polícia Federal aponta que ele exercia papel estratégico na manutenção da rede de abastecimento da facção.
A mulher presa na mesma ação é investigada por atuar na logística financeira do esquema. Conforme as apurações, ela realizava viagens frequentes ao Suriname em períodos compatíveis com movimentações consideradas suspeitas pelas autoridades.
Prisões ocorreram em diferentes regiões
Ao todo, a Justiça expediu 13 mandados de prisão preventiva no âmbito da Operação Red Fox. Até o momento, quatro pessoas foram presas, incluindo o casal localizado no exterior.
Outros dois alvos foram capturados em território brasileiro. Um deles foi preso no Rio de Janeiro, apontado como operador financeiro da facção e suspeito de utilizar contas pessoais e empresariais para movimentar recursos ilícitos e efetuar pagamentos a fornecedores. O outro foi localizado em Tabatinga, no Amazonas, região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Segundo a PF, esse investigado seria responsável por uma empresa usada para movimentar recursos ligados à logística internacional do tráfico de drogas e armas.
Lideranças da facção seguem foragidas
Entre os nove mandados de prisão ainda não cumpridos está o de Edgard Alves Andrade, conhecido como "Doca" ou "Urso", apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
A Justiça Federal autorizou ainda medidas de bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores dos investigados. O montante pode chegar a quase R$ 500 milhões, valor que, segundo a PF, corresponde ao patrimônio supostamente utilizado para financiar as atividades criminosas da organização.
Empresas de fachada e PIX eram usados para ocultar recursos
As investigações revelaram que o grupo utilizava uma série de mecanismos para ocultar a origem ilícita dos valores movimentados. Entre as estratégias identificadas estão o uso de empresas de fachada, pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas", depósitos fracionados, transferências via PIX, contas bancárias de passagem e movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Segundo a Polícia Federal, esse sistema era utilizado para viabilizar pagamentos a fornecedores nacionais e estrangeiros, além de financiar a aquisição de armamentos e outras atividades ligadas à facção criminosa.
Investigações continuam
A Operação Red Fox segue em andamento. A Polícia Federal informou que as apurações continuam para localizar os foragidos, aprofundar a análise financeira e telemática dos investigados e identificar outros integrantes da rede criminosa.
As medidas foram autorizadas pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que também determinou a suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas como instrumentos para lavagem de dinheiro e movimentação de recursos do Comando Vermelho.