- Policiais militares de São Paulo são acusados de obrigar três suspeitos a vestir camisetas com mensagens de apoio a Lula.
- Mãe de adolescente denuncia agressões e afirma que filho foi forçado a usar camiseta do PT durante abordagem.
- Deputada relata que mulheres da comunidade foram intimidadas e agredidas por policiais durante distribuição de materiais políticos.
- SSP-SP nega registros das denúncias e afirma que os suspeitos foram detidos após denúncia feita pelo telefone 190.
- PT pede investigação sobre possíveis abusos e suspeita de fraude eleitoral envolvendo ações da polícia em Piracicaba.
Policiais militares de São Paulo são acusados de obrigar três suspeitos detidos em Piracicaba, no interior do estado, a vestir camisetas com mensagens de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia foi feita pela mãe de um adolescente de 17 anos, apreendido por suspeita de tráfico de drogas na quarta-feira (21). Na mesma comunidade, mulheres que distribuíam materiais de campanha do partido também relataram intimidações e agressões por parte de agentes.
Imagens dos três suspeitos algemados e usando camisetas idênticas foram publicadas no Instagram do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante das denúncias, o PT acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e pediu que a Polícia Federal investigue possíveis abusos e suspeita de fraude eleitoral.
Mãe relata agressões contra adolescente
Em entrevista ao site TV TodoDia, a mãe do adolescente, Edna Souza Barbosa, afirmou que o filho vestia uma camiseta preta antes da abordagem e que os policiais teriam colocado nele e nos outros dois suspeitos blusas iguais com mensagens de apoio a Lula.
Segundo ela, os agentes entraram na residência da família, localizada na favela Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. A mulher também relatou que o filho teria sido agredido durante a ocorrência e levado para outra comunidade. Ela afirmou ainda que a filha de 14 anos foi atingida por um soco durante a ação.
Um dos outros suspeitos detidos também negou envolvimento no crime e disse, em entrevista ao mesmo veículo, que foi agredido e teve a própria camiseta retirada. Segundo o relato, os agentes teriam colocado nele uma blusa com referência ao presidente.
Mulheres também denunciam abordagem
Na mesma comunidade e na mesma quarta-feira, a deputada estadual reeleita Professora Bebel (PT) afirmou que mulheres que distribuíam materiais de campanha do partido foram intimidadas e agredidas por policiais militares. De acordo com a parlamentar, os agentes teriam obrigado as mulheres a retirar as camisetas que vestiam e entregá-las a eles.
As peças tinham a frase “Professoras e professores da Apeoesp com Lula”, em estampa vermelha. Segundo as denúncias, o modelo era igual ao das camisetas usadas pelos três suspeitos detidos. Bebel informou que pretende encaminhar o caso à Ouvidoria da Polícia Militar para solicitar a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas.
SSP nega registro das denúncias
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que não compactua com desvios de conduta e que pune rigorosamente casos comprovados. A pasta declarou, porém, que não havia registros dos fatos relatados na comunidade Vitória Pantanal e orientou possíveis vítimas a formalizar denúncias em delegacias, pela Delegacia Digital ou na Corregedoria da Polícia Militar.
Sobre a prisão, a secretaria informou que os três suspeitos — o adolescente de 17 anos e dois homens de 21 e 24 anos — foram detidos após uma denúncia feita pelo telefone 190, com descrição das pessoas envolvidas. Segundo a SSP, foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente, além de um revólver e outras 137 porções da droga com os adultos.
A pasta não comentou especificamente a acusação de que os policiais teriam obrigado os detidos a vestir camisetas do PT. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba.
Derrite não se manifesta sobre acusação
Procurado, Guilherme Derrite não se manifestou sobre as denúncias. Na publicação em que divulgou as imagens dos suspeitos, o senador eleito parabenizou a atuação dos policiais, afirmou que “crime não pode ser relativizado” e defendeu a redução da maioridade penal.
O PT, por sua vez, pediu que os órgãos competentes apurem as circunstâncias da ocorrência e as denúncias envolvendo tanto os suspeitos detidos quanto as mulheres que participavam da distribuição de material político. As acusações ainda dependem de investigação.