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Polícia apura se deputado do PL cometeu importunação sexual, disparou arma e adulterou placa

Marcelo Aguiar (PL) foi detido após um tiro em uma casa noturna na Zona Sul de São Paulo; apresentador Fred Bruno relatou ter sido atingido de raspão

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  • Deputado estadual Marcelo Aguiar é investigado por importunação sexual, disparo de arma e placa irregular no carro.
  • Testemunhas relatam que ele estava embriagado e tentou se aproximar de mulheres na casa noturna Santo.
  • PM afirma que disparo ocorreu após discussão e que o parlamentar não atingiu ninguém.
  • Aguiar afirma que tiro foi acidental e que estava sob efeito de medicamentos, não mencionando acusações.
  • Arma será periciada e placa irregular do veículo será analisada pela Polícia Civil.
O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) é detido por policiais militares após confusão em casa noturna | Foto: Reprodução/TV Globo e Alesp
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A Polícia Civil de São Paulo investiga se o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) cometeu importunação sexual contra mulheres, efetuou um disparo de arma de fogo de forma intencional ou acidental e utilizou uma placa irregular no carro particular. Os fatos ocorreram na madrugada de segunda-feira (19), na casa noturna Santo, no Itaim Bibi, Zona Sul da capital paulista.

Testemunhas e policiais ouvidos pela reportagem relataram que o parlamentar aparentava estar embriagado e teria importunado mulheres antes do disparo. O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, afirmou ter sido atingido de raspão no pé durante a confusão e disse que sentiu o impacto de um projétil.

Em vídeo, Fred relatou uma sensação de queimação no local e afirmou que o caso não pode ficar impune. As circunstâncias do disparo ainda serão investigadas.

PM relata disparo após discussão

Uma frequentadora da casa noturna afirmou que Marcelo estava “absurdamente bêbado” e tentava se aproximar de mulheres que não demonstravam interesse. Segundo ela, o deputado segurava uma taça de vinho, tentava pegar na mão de duas mulheres e insistia em conversar com uma delas, que teria pedido ajuda aos amigos.

De acordo com o boletim da Polícia Militar (PM), testemunhas contaram que o parlamentar havia “cantado” uma mulher que estava com um grupo de amigos. Dois homens teriam ido tirar satisfação com ele.

“Se sentiu acuado, sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo que não atingiu ninguém”, diz o registro policial sobre a versão apresentada pelas testemunhas.

A investigação também deverá esclarecer se, durante a discussão, algum dos homens tentou pegar a arma do deputado e se isso teve relação com o disparo.

Deputado diz que tiro pode ter sido acidental

Em depoimento, Marcelo Aguiar afirmou que, “caso tenha ocorrido algum disparo proveniente de sua arma, este se deu de maneira acidental”.

O parlamentar declarou que passou mal enquanto estava na casa noturna, possivelmente em razão de medicamentos que havia ingerido, e disse que ouviu o disparo. Segundo o relato apresentado, ele não mencionou as acusações de importunação sexual nem a suspeita de que estivesse embriagado.

Após ser acionada pelo gerente do estabelecimento, a PM encontrou o deputado sentado do lado de fora da casa noturna. Os policiais o desarmaram, algemaram e o levaram à delegacia.

Segundo os agentes, Marcelo dormiu na viatura e chorou no 14º Distrito Policial (DP), em Pinheiros. A ocorrência foi registrada inicialmente como disparo de arma de fogo.

Deputado foi liberado e arma será periciada

Marcelo foi liberado para responder em liberdade. Segundo as informações da ocorrência, a Polícia Civil não efetuou a prisão em flagrante. Por ser deputado estadual, ele tem foro por prerrogativa de função, e a apuração depende de autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A pistola Glock G42, calibre .380, foi apreendida e será submetida a perícia pela Polícia Técnico-Científica. A arma está legalizada, e o parlamentar tem autorização para portá-la para defesa pessoal.

A reportagem questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre a realização de exame residuográfico nas mãos do deputado, que pode identificar vestígios de disparo. Também perguntou se foram feitos teste do bafômetro, exame de sangue ou avaliação clínica para verificar a presença de álcool no organismo.

Polícia também apura possível placa irregular

Outro ponto da investigação é a possível utilização de uma placa irregular no carro do deputado. O veículo estava estacionado do lado de fora da casa noturna e não foi apreendido.

Segundo a reportagem, o automóvel circulava com uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sem autorização para esse uso. A informação não constava no boletim de ocorrência inicial.

Em nota, a SSP informou que “todas as circunstâncias dos fatos serão apuradas”, incluindo a possível utilização de placas adulteradas no veículo usado pelo investigado para chegar ao local. A pasta acrescentou que essa circunstância não havia sido relatada à autoridade policial durante o plantão.

A delegacia seccional responsável pelo caso ainda não havia aberto um inquérito formal, segundo a reportagem, porque aguardava autorização do TJ-SP para investigar o deputado, em razão do foro por prerrogativa de função. O pedido já havia sido encaminhado e aguardava decisão.

A Alesp informou, por meio de nota, que a conduta do parlamentar será apurada pela Comissão de Ética. A casa noturna Santo declarou que colabora com as investigações.

Quem é Marcelo Aguiar

Aos 53 anos, Marcelo Aguiar é deputado estadual pelo PL, casado e pai de dois filhos. Ele integra a chamada bancada evangélica da Assembleia Legislativa de São Paulo e também é conhecido como cantor sertanejo gospel.

O parlamentar ganhou notoriedade na Igreja Renascer em Cristo e fez parte do grupo musical Renascer Praise, ligado à igreja liderada por Sonia e Estevam Hernandes. Entre as músicas associadas à sua carreira estão “Me dá poder de filho” e “Eis-me aqui”.

Marcelo foi eleito vereador de São Paulo em 2008, pelo então PSC, com 41.506 votos. Em 2010, chegou à Câmara dos Deputados, com 98.842 votos, mas não conseguiu voltar ao Parlamento federal nas eleições seguintes.

Em nota, a assessoria do deputado afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão. A defesa declarou que os fatos serão esclarecidos durante a investigação.

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