- Incêndio no prédio da UFPE no Recife requer escoramento para investigação da PF nos próximos 15 dias.
- PF usa drone e robô para avaliar danos e investigar causas do incêndio, com peritos do INCT em Brasília.
- Governo anuncia R$ 68 milhões para reconstrução e substituição de equipamentos perdidos no incêndio.
- Incêndio comprometeu pesquisas de 20 anos e afetou cerca de 200 estudantes, com prazos estendidos.
- Reitor afirma que prédio recebia manutenção regular e materiais inflamáveis estavam adequadamente acondicionados.
O prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) atingido por um incêndio no campus do Recife deverá passar por um serviço de escoramento nos próximos 15 dias, para permitir a entrada segura dos peritos da Polícia Federal (PF). A estrutura está isolada devido ao risco de desabamento. A medida é necessária para que os especialistas investiguem as causas do fogo e reconstituam como o incêndio começou.
PF investiga causas do incêndio
Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, a universidade negocia um aditamento ao contrato de uma empresa que já presta serviços à instituição para incluir o escoramento do imóvel. A intenção é iniciar o trabalho o mais rápido possível.
“Não tem data, mas eu creio que, nesses próximos 15 dias, a gente também terá isso resolvido”, afirmou o reitor.
A PF já iniciou os trabalhos no local com o uso de um drone e um robô equipado com câmera, que permitiram avaliar os danos sem colocar os profissionais em risco. Peritos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, irão ao Recife para realizar a análise presencial.
De acordo com o delegado regional executivo da PF, Rodrigo Bastos, a investigação também analisa imagens de câmeras de segurança e registros de pessoas que estiveram no campus na noite do incêndio.
“Vamos tentar identificar o que deu início ao incêndio e reconstituir a dinâmica dos fatos no local, nos momentos que antecederam esse evento”, disse o delegado. Segundo ele, o inquérito foi instaurado e testemunhas já começaram a ser ouvidas.
Governo anuncia R$ 68 milhões
Após o incêndio, foram anunciados R$ 40 milhões pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a compra de equipamentos laboratoriais perdidos. O valor se soma aos R$ 28 milhões destinados pelo Ministério da Educação (MEC) à reconstrução do prédio.
Os recursos para os equipamentos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e estão disponíveis para transferência à universidade. A previsão é reconstruir o imóvel, que tem dois pavimentos, com base no projeto executivo de um centro de pesquisas da UFPE em Sertânia, no interior de Pernambuco.
Enquanto a reconstrução não é concluída, os novos equipamentos deverão ser instalados em outros laboratórios da instituição.
Incêndio compromete pesquisas de 20 anos
O fogo atingiu laboratórios de pesquisa e comprometeu cerca de 80 dissertações e teses de doutorado em andamento. Aproximadamente 200 estudantes, da graduação ao doutorado, foram afetados pela perda de materiais.
Em nota, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lamentaram o ocorrido e afirmaram que, “além dos equipamentos e insumos perdidos, o incêndio consumiu dados de aproximadamente 20 anos de pesquisa”.
Segundo Alfredo Gomes, os estudantes terão os prazos estendidos e poderão continuar os estudos em outras universidades brasileiras ou em instituições da Alemanha, dos Estados Unidos e da França, que ofereceram ajuda.
O reitor também afirmou que, apesar de antigo, o prédio recebia manutenção regular. Segundo ele, os materiais inflamáveis armazenados nos laboratórios estavam acondicionados adequadamente e não teriam causado o incêndio. Durante a pandemia de Covid-19, o espaço foi utilizado para pesquisas relacionadas à doença. Antes disso, funcionava no local um restaurante universitário.