- Segurança preso por espancamento fatal gravou vídeo justificando ausência de câmeras no local do crime.
- Policia investiga participação de contratante do segurança e outros envolvidos no episódio.
- Segurança mudou versão dos fatos em depoimentos, confessando agressões e agindo de forma insana.
- Bicicleta da vítima foi levada por segurança, que acreditava estar recuperando veículo roubado.
- Vítima chegou a loja pedindo cigarro, mas não recebeu por falta de dinheiro e negou posse da bicicleta.
Horas depois do espancamento que terminou com a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, um dos seguranças presos por participação no crime gravou um vídeo na rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Nas imagens, que são analisadas pela 12ª DP (Copacabana), Davi Santos Machado aparece ofegante e afirma a outra pessoa que as câmeras de segurança não teriam registrado as agressões contra a vítima.
“Foi aqui. Ó, câmera, não tem câmera aqui, para tu ver, não tem câmera. Tá virada para lá. Foi aqui”, diz Davi no vídeo.
Polícia investiga participação de outras pessoas
A Polícia Civil pretende ouvir, nesta semana, a pessoa que teria contratado o segurança envolvido no caso. Também deve prestar depoimento o homem que teria entregue a Davi o pedaço de madeira usado nas agressões.
A investigação ainda tenta identificar um homem que teria presenciado o espancamento e não prestado socorro à vítima.
“Todas as pessoas que presenciaram essa cena, a gente vai identificá-las. A gente pretende ouvi-las, até porque elas podem responder por omissão de socorro. Elas presenciaram e nada fizeram”, afirmou o delegado titular da 12ª DP, Ângelo Lages.
Davi Santos Machado é preso — Foto: Divulgação
Segurança mudou versão em depoimentos
Davi prestou dois depoimentos à Polícia Civil. No primeiro, afirmou que havia dado apenas um soco em Rafael e atribuiu o espancamento aos entregadores de aplicativo.
Em uma segunda declaração, porém, ele confessou as agressões e classificou as pauladas como um “ato insano”. Davi afirmou ainda que não sabe explicar o que o levou a agir daquela maneira.
Segundo o depoimento, ele ligou para o chefe da segurança, identificado como Aluísio, para informar o que estava acontecendo e pedir orientação. Davi disse que recebeu a instrução de fotografar a bicicleta.
O segurança também declarou que não havia informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Ainda conforme o depoimento, Rafael não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens. Davi afirmou que não ouviu a vítima pedir socorro.
Bicicleta da vítima foi levada por segurança
Dias após o crime, Davi compareceu à 12ª DP, na rua Hilário de Gouvêa, para prestar depoimento. Ele chegou à delegacia pedalando a bicicleta que pertencia a Rafael.
Imagens analisadas pela polícia e obtidas pela TV Globo mostram que o veículo havia sido levado na noite do crime por outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias. Segundo os depoimentos, os dois acreditavam estar recuperando uma bicicleta roubada, mas a suspeita se mostrou equivocada.
De acordo com a investigação, Rafael chegou a uma loja em Copacabana por volta das 23h20 do dia 11 de agosto para pedir um cigarro. Como não tinha dinheiro, não recebeu o produto.
Minutos depois, Davi chegou ao local e perguntou sobre a bicicleta que estava ao lado de Rafael. A vítima respondeu apenas que “não”, pois, segundo as informações apuradas, o veículo pertencia à irmã dele.
Segundo a família, Rafael tinha problemas cognitivos que afetavam sua comunicação.