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Preso por morte por espancamento vai depor com bicicleta da vítima

Davi Santos Machado, de 21 anos, inicialmente negou participação nas agressões, mas voltou à delegacia no dia seguinte e confessou o crime

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  • Davi Santos Machado, segurança acusado de espancar Cláudio Rafael, confessou ter golpeado a vítima após ser ouvido inicialmente como testemunha.
  • A bicicleta de Cláudio, pertencente à irmã, foi levada por Davi, que a guardou e depois devolveu após encontrar o proprietário.
  • As agressões, filmadas por entregadores, duraram cerca de nove minutos e resultaram na morte da vítima após ela ser espancada com pedaços de madeira.
  • Davi admitiu ter usado um cacetete e não explicou o motivo da violência, enquanto a polícia investiga a participação de outros entregadores e suspeitos.
  • Cláudio, que sofria de problemas cognitivos, foi agredido na Rua Felipe Oliveira e morreu após agonizar por meia hora antes de ser levado ao hospital.
Segurança preso pelo espancamento de Cláudio Rafael chegou para depor pedalando bicicleta da vítima | Foto: Reprodução
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O segurança de rua Davi Santos Machado, de 21 anos, um dos presos investigados pela morte de Cláudio Rafael Landeiro, compareceu à 12ª Delegacia de Polícia (DP) de Copacabana, no Rio de Janeiro, para prestar depoimento usando a bicicleta que estava com a vítima na noite do espancamento. Inicialmente ouvido como testemunha, Davi negou ter participado das agressões, mas retornou à delegacia no dia seguinte e confessou ter golpeado Cláudio, que morreu após ser espancado por um grupo.

Bicicleta foi levada

Segundo a investigação, a bicicleta pertencia à irmã de Cláudio, apesar de os envolvidos terem suspeitado que o veículo fosse roubado. Imagens analisadas pela polícia mostram outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias, retirando a bicicleta da vítima durante a noite do crime.

De acordo com os depoimentos, Cláudio chegou a uma loja em Copacabana por volta das 23h20 de 11 de agosto para pedir um cigarro. Como não tinha dinheiro, não recebeu o produto. Pouco depois, Davi chegou ao local e perguntou sobre a bicicleta que estava ao lado da vítima.

Cláudio respondeu que a bicicleta não era dele. Segundo a família, ele tinha problemas cognitivos que afetavam sua comunicação e falava pouco.

Ainda conforme uma testemunha, Davi pegou a bicicleta e pediu para que ela fosse guardada. O segurança teria colocado o veículo próximo a galões de água, prendido com um cadeado e feito uma fotografia. Depois, voltou dizendo que havia encontrado o proprietário, retirou o cadeado e levou a bicicleta.Cláudio Rafael, filmado por entregadores — Foto: Reprodução

Cláudio Rafael, filmado por entregadores — Foto: Reprodução

Agressões duraram minutos

A investigação aponta que Cláudio acompanhou os homens enquanto eles levavam a bicicleta. Pouco depois, um cliente avisou que duas pessoas estavam agredindo um homem com pedaços de madeira.

Uma testemunha foi até a frente da loja e afirmou ter visto Davi e outro segurança agredindo Cláudio com pedaços de madeira, na rua e na calçada. Segundo o relato, outro segurança pegou a bicicleta e deixou o local, enquanto a vítima seguia na direção do homem que estava com o veículo.

Cláudio acabou cercado novamente na Rua Felipe Oliveira. Os dois entregadores que acompanhavam os seguranças também teriam participado das agressões.

Segundo a investigação, o espancamento durou cerca de nove minutos e foi registrado em vídeo pelos próprios envolvidos. A vítima não teria reagido durante as agressões.

Após o ataque, Cláudio permaneceu agonizando por aproximadamente meia hora na calçada. O Corpo de Bombeiros foi acionado e levou a vítima para um hospital, mas ele não resistiu.

Confissão

Cinco dias após o crime, Davi prestou depoimento inicialmente como testemunha. Conforme a polícia, ele afirmou não ter visto nem participado das agressões.

No dia seguinte, porém, retornou à delegacia e confessou ter agredido Cláudio. Em depoimento, afirmou que ele e dois entregadores deram socos e pontapés na vítima. Também admitiu ter usado um cacetete.

Davi declarou que, em um “ato insano”, desferiu vários golpes contra a cabeça de Cláudio e disse não saber explicar o motivo da atitude.

O segurança também afirmou que não havia qualquer informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Segundo o depoimento, Cláudio não ofereceu resistência e obedeceu às ordens dos homens.

Quem são os investigados

Além de Davi e Jorge, a polícia investiga a participação de dois entregadores. Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, aparece nas imagens participando das agressões e se entregou à polícia.

Ailton José da Silva, também entregador, é apontado como outro envolvido nas agressões.

A polícia ainda procura um quinto suspeito de participação no espancamento e pessoas que teriam presenciado Cláudio agonizando sem prestar socorro.

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