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Quem é o pastor Lucinho, condenado com a Lagoinha por sermão sobre beijo na filha

Sacerdote é conhecido pelo trabalho de evangelização de jovens e reúne milhões de seguidores nas redes sociais

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  • Pastor Lucinho Barreto condenado a pagar R$ 150 mil por danos morais coletivos após discurso discriminatório em culto em Belo Horizonte.
  • Decisão da juíza Miriam Vaz Chagas determina que ele faça novo sermão sobre educação de filhos e se retrate das declarações ofensivas.
  • Discurso em abril de 2024 contou que beijou filha na boca aos 11 anos e fez comentários que o Ministério Público considerou discriminatórios.
  • Igreja Batista da Lagoinha foi condenada a adotar medidas para publicar integralmente o novo sermão de retratação.
  • Defesa do pastor alega que as falas foram retiradas do contexto e que o episódio teria ocorrido em 2011, com investigações arquivadas.
Pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho Barreto | Foto: Reprodução
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O pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho Barreto, foi condenado junto com a Igreja Batista da Lagoinha ao pagamento de R$ 150 mil por danos morais coletivos após um discurso feito durante um culto em Belo Horizonte. Aos 54 anos, o religioso tem mais de 2,5 milhões de seguidores nas redes sociais, é autor de livros voltados ao público cristão e atualmente atua como pastor na Lagoinha Alphaville, em São Paulo. A decisão também determinou que ele faça um novo sermão sobre educação de filhos e se retrate das declarações que motivaram a ação.

Quem é Lucinho Barreto

Nascido em Belo Horizonte, Lúcio Barreto Júnior é bacharel em Teologia Ministerial e mestre em Teologia. Sua trajetória religiosa é marcada principalmente pelo trabalho de evangelização de jovens.

Lucinho é conhecido pelo conteúdo publicado nas redes sociais, onde compartilha reflexões, estudos bíblicos e mensagens religiosas. O pastor também escreveu livros como O Manual de Sobrevivência para o Jovem Cristão e a série Loucos por Jesus.

Atualmente, ele atua na Lagoinha Alphaville, em São Paulo. O templo ocupa uma área de aproximadamente 115 mil metros quadrados e tem capacidade para cerca de 50 mil pessoas.

Na vida pessoal, Lucinho é casado com a também pastora Paty Barreto, é pai de dois filhos e avô.

Pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho Barreto - Foto: Reprodução

Discurso que levou à condenação

A condenação está relacionada a um sermão realizado em abril de 2024, durante um culto voltado ao público masculino que tinha como tema a educação dos filhos.

Na ocasião, o pastor contou que havia beijado a filha na boca quando ela tinha 11 anos e fez comentários sobre a menina e um futuro namorado.

“Eu peguei minha filha um dia, dei beijo nela, falei que amava ela. Ela passava e eu falava assim: 'Nossa, que mulherão, ai se eu te pego'. Um dia ela distraiu e eu dei um beijo na boca dela. E eu falei assim: 'Quando eu encontrar seu namorado, eu vou falar: você é o segundo, eu já beijei'”, disse o pastor.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu a condenação do pastor e da igreja. O órgão argumentou que o conteúdo do sermão apresentava discurso discriminatório de gênero e incitação à violência sexual contra meninas e mulheres.

Segundo o MPMG, a fala foi gravada e posteriormente publicada no canal oficial da Igreja Batista da Lagoinha no YouTube e reproduzida em redes sociais sem comentários críticos da instituição.

O que decidiu a Justiça

A decisão foi proferida pela juíza Miriam Vaz Chagas, da 17ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte.

Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que as liberdades religiosa e de expressão possuem limites e que discursos que sexualizem crianças ou menosprezem a dignidade das mulheres não estão protegidos de forma absoluta.

Além da indenização de R$ 150 mil, que deverá ser paga pelos dois réus, a juíza determinou que Lucinho realize um novo sermão sobre educação de filhos, com a mesma finalidade de enfrentar discursos de ódio, discriminação e violência contra mulheres e crianças.

O pastor também deverá fazer uma retratação expressa das declarações que deram origem ao processo.

A Igreja Batista da Lagoinha ficou responsável por adotar as medidas necessárias para gravar e publicar integralmente o novo sermão de retratação.

A decisão ainda cabe recurso.

O que disseram o pastor e a igreja

Durante o processo, a Igreja Batista da Lagoinha afirmou que não poderia ser responsabilizada pelas declarações feitas por seus pastores.

Lucinho, por sua vez, alegou que suas manifestações estavam protegidas pelas liberdades constitucionais de crença e expressão.

A defesa também afirmou que o episódio mencionado pelo pastor teria ocorrido em 2011, durante uma brincadeira com os filhos, e que as investigações realizadas na época pela Polícia Civil foram arquivadas.

Após a sentença, o advogado Leonardo Girundi, responsável pela defesa do pastor, afirmou ter recebido a decisão com perplexidade.

“Ela não retrata o que consta nos autos. As falas do pastor, de poucos segundos, foram retiradas do contexto de uma pregação de mais de 40 minutos. Devido a isto faremos os recursos cabíveis na expectativa de reversão do resultado. Reafirmamos o nosso compromisso com a verdade e na defesa das crianças e mulheres”.

A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

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