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Quem são os brasileiros sancionados pelos EUA por suspeita de ligação com o PCC

Victor Shimada e Stella Stefanie são acusados pelos EUA de integrar uma rede de lavagem de dinheiro; empresário também é investigado no caso VaideBet

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  • Estados Unidos impõe sanções contra brasileiros e empresas por ligação com PCC.
  • Victor Shimada é acusado de lavar US$ 30 milhões com criptomoedas e financiar PCC.
  • Stella Nunes é apontada como intermediária e apoio logístico à lavagem de dinheiro.
  • Victory Trading é investigada por envolvimento no esquema de desvio de recursos do Corinthians.
  • Sanções são parte da ação contra PCC classificado como organização terrorista internacional.
Victor Shimada, sócio da Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, sancionado pelo governo dos EUA | Foto: Reprodução/GloboNews
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O governo de Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Além deles, três empresas brasileiras e uma empresa com sede em Portugal também foram incluídas na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Quem são os brasileiros

Victor Henrique de Oliveira Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., empresa sediada em Portugal que também foi alvo das sanções anunciadas nesta quarta-feira.

Segundo o governo norte-americano, Shimada é um "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". Os EUA afirmam que ele:

  • teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) provenientes de atividades ilícitas em diferentes cidades americanas, utilizando criptomoedas para enviar recursos ao Brasil em nome da facção;
  • também estaria envolvido em outros crimes financeiros relacionados à lavagem de dinheiro.

Já Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é apontada pelos EUA como parente de Shimada e ex-secretária do empresário.

De acordo com o Departamento do Tesouro, ela atuava como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e prestava apoio logístico às operações de lavagem de dinheiro atribuídas ao grupo investigado.

Ligação com o caso VaideBet

No Brasil, Shimada também é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura o suposto desvio de recursos do contrato de patrocínio entre a casa de apostas e o Corinthians.

Segundo denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., empresa apontada pelos investigadores como uma das responsáveis por movimentar recursos provenientes do esquema.

A investigação identificou uma cadeia financeira pela qual os valores teriam circulado após deixarem a conta do Corinthians. De acordo com os autos, parte do fluxo seguiu o caminho:

Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent.

Os investigadores também apontam transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa citada em outras apurações policiais.

A denúncia sustenta que Shimada atuou como operador financeiro de uma empresa utilizada, ao menos em parte, para ocultar e dissimular a origem dos recursos. Por esse motivo, ele foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2025, o empresário chegou a cumprir prisão domiciliar por decisão da Justiça brasileira no âmbito dessa investigação.

Ao anunciar as sanções, o governo dos EUA também afirmou que a Victory Trading foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, sem citar nominalmente o Corinthians.

O presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca durante a assinatura de uma ordem executiva sobre computação quântica | Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O que dizem os EUA

Segundo o Departamento do Tesouro, Victor Shimada, Stella Stefanie e as empresas sancionadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e investigada na Flórida. De acordo com o comunicado, outros seis integrantes desse grupo foram presos no estado norte-americano em janeiro deste ano.

Esta é a primeira rodada de sanções econômicas anunciada pelo governo Trump contra pessoas e empresas supostamente ligadas ao PCC desde que os Estados Unidos classificaram a facção e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, em junho.

No comunicado, o Departamento do Tesouro afirma que o PCC é a "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA". O governo americano também acusa a facção de utilizar o sistema financeiro do país para lavar dinheiro.

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas abre caminho para medidas mais rígidas por parte dos Estados Unidos, como sanções econômicas contra cidadãos e empresas e outras ações previstas na legislação americana.

O subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira dos EUA, Gene Lange, afirmou que o governo está enfrentando a "crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA".

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