Três profissionais da saúde foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), suspeitos de matar três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga.
A investigação aponta que os suspeitos teriam injetado substâncias não prescritas nos pacientes, incluindo desinfetante, o que levava a paradas cardiorrespiratórias e, consequentemente, à morte.
Em um dos casos, a perícia identificou que uma paciente recebeu pelo menos 10 doses de desinfetante diretamente na veia. Os crimes ocorreram em datas diferentes, e a motivação para os assassinatos é desconhecida.
QUEM SÃO AS VÍTIMAS
Miranilde Pereira da Silva, 75 anos
Professora aposentada da rede pública, morava em Taguatinga. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), ela atuou por anos na Regional de Ensino de Ceilândia, na Escola Classe 03. Morreu em 17 de novembro. Em nota, o sindicato manifestou profundo pesar, destacando que Miranilde era comprometida com a educação pública do DF.
João Clemente Pereira, 63 anos
Morador do Riacho Fundo I, trabalhava como supervisor de manutenção na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Segundo a investigação, ele recebeu duas aplicações irregulares de medicamento.
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos
Morava em Brazlândia e era funcionário dos Correios, lotado no Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) da região. Em nota de pesar, o Sintect-DF prestou solidariedade aos familiares e colegas.
INVESTIGAÇÃO
Até o momento, a polícia investiga cerca de 20 mortes que podem ter relação com a conduta dos técnicos de enfermagem. Três desses óbitos já apresentam fortes indícios de terem sido causados pela ação dos profissionais.
A Polícia Científica segue analisando prontuários e realizando perícias para confirmar a extensão dos crimes cometidos pelo grupo.
O QUE DISSE O HOSPITAL
Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias fora do comum, a unidade instaurou, por iniciativa própria, um comitê interno de análise e "conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes".
A instituição também se solidarizou com os familiares e informou que "está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça".