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Segurança é preso por participação na morte de ciclista espancado em Copacabana; irmã o confronta

Homem teria segurado a bicicleta da vítima e um porrete usado nas agressões, mas não teria participado diretamente do espancamento

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  • Segurança envolvido no espancamento de ciclista em Copacabana foi preso após se apresentar na delegacia.
  • Homem teve participação acessória no crime e foi identificado como segurador da bicicleta e do porrete usado nas agressões.
  • Crime foi classificado como extremamente cruel e triplamente qualificado, com agressões bárbaras e motivo fútil.
  • Investigação aponta que a violência começou após suspeita de que a bicicleta fosse roubada, levando à abordagem e agressão da vítima.
  • Família do ciclista afirma que ele estava usando bicicleta da família e descreve o irmão como pessoa calma e de coração puro.
Homem com vareta deu 30 pauladas em Cláudio Rafael Landeiro | Foto: Reprodução/TV Globo
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Um dos seguranças envolvidos no caso que terminou com a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, espancado em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi preso no início da tarde desta quinta-feira (20). Jorge Luiz Ricardo Dias, de 56 anos, se apresentou na delegacia por volta das 12h50 e teve a prisão temporária cumprida.

Na chegada à unidade policial, Jorge foi confrontado por uma das irmãs da vítima.

"Gostou de matar meu irmão? Gostou de matar meu irmão?"

O segurança não respondeu e entrou na delegacia.

O delegado titular Ângelo Lages confirmou a prisão e afirmou que Jorge teve uma participação considerada acessória no crime. Segundo as investigações, ele não teria agredido diretamente Cláudio, mas participou de momentos importantes do episódio.

“Ele teve uma participação acessória no crime. Vai ser cumprido o mandado de prisão contra ele”, afirmou o delegado.

Segurança teria segurado bicicleta e objeto nas agressões

De acordo com a investigação, Jorge esteve presente durante parte da abordagem e teria segurado a bicicleta de Cláudio. Ele também teria segurado o porrete utilizado nas agressões.

Em depoimento, o segurança afirmou que chegou a alertar Davi, outro envolvido, para que não cometesse as agressões.

A Polícia Civil identificou, até o momento, quatro homens envolvidos no episódio. Segundo o delegado, três deles participaram diretamente das agressões. A investigação começou depois que um dos seguranças suspeitou que a bicicleta usada por Cláudio fosse roubada.

A vítima, que tinha problemas psiquiátricos e dificuldades de fala, não conseguiu explicar naquele momento que a bicicleta pertencia à irmã.

A abordagem começou na Rua Barata Ribeiro

Segundo Ângelo Lages, o episódio começou na Rua Barata Ribeiro. Um segurança, identificado como Davi, abordou Cláudio e perguntou a quem pertencia a bicicleta.

“Um segurança começou a interrogar de quem seria a bicicleta e ele, com dificuldades de fala, não conseguiu explicar que a bicicleta era da irmã. Depois chega um segundo segurança e tira a bicicleta da posse dele e começa a agressão”, explicou o delegado.

Depois da primeira abordagem, Cláudio deixou o local e foi até a Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou na entrada de um prédio.

Foi nesse ponto que a violência teria se intensificado. Dois entregadores chegaram ao local e, segundo a polícia, Davi reapareceu com um porrete. Os três passaram a agredir a vítima.

“Depois, ele sai dali e vai para a Rua Felipe de Oliveira e senta na porta de um prédio. Ali chegaram dois entregadores e novamente aparece o segurança Davi com um porrete e começam a agredi-lo de forma bárbara”, afirmou Lages.

Os seguranças já foram identificados. De acordo com o delegado, ainda falta identificar os dois entregadores para que a investigação seja concluída.

Polícia classifica crime como extremamente cruel

O delegado Ângelo Lages classificou o caso como um crime de extrema crueldade e afirmou que a investigação aponta para um homicídio triplamente qualificado.

“Um crime hediondo, um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima”, definiu.

Dois homens já foram identificados pela polícia. Imagens de câmeras de segurança de um prédio em Copacabana registraram parte das agressões.

Nas imagens, três homens cercam Cláudio. Dois deles utilizam mochilas de entrega, enquanto o terceiro segura uma vareta e desfere ao menos 30 golpes contra a vítima.

O trio também dá socos e chutes em Cláudio, que acaba caindo na calçada.

O que as imagens mostram

O crime aconteceu na noite de 11 de agosto. Cláudio estava com a bicicleta da irmã e parou em frente a uma loja, na esquina das ruas Barata Ribeiro e Belford Roxo. Ele desceu da bicicleta e permaneceu na calçada.

Pessoas que suspeitaram que a bicicleta pudesse ser roubada acionaram seguranças que trabalhavam na região. Um deles questionou Cláudio sobre a procedência do veículo. Diante da dificuldade da vítima em responder, um vigia teria dado uma paulada em seu braço.

Cláudio então seguiu até a Rua Felipe de Oliveira e se sentou na escadaria de um prédio. A partir desse momento, o episódio foi registrado pelas câmeras de segurança.

Os dois homens com mochilas de entrega chegaram de bicicleta e abordaram Cláudio. Em seguida, o vigilante que carregava a vareta apareceu e as agressões começaram.

Cláudio chegou a se levantar da escadaria e tentou fugir, mas foi segurado pelos homens. O trio continuou com socos, chutes e pauladas. A vítima não reage às agressões e cai desacordada no chão.

Depois, os agressores vasculham os bolsos do ciclista. Um dos seguranças também tira uma foto da cena. Em seguida, os envolvidos deixam o local, enquanto Cláudio permanece caído na calçada.

Bombeiros foram acionados e prestaram socorro à vítima. Cláudio foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo informações repassadas à família, a morte foi causada por traumatismo craniano e hemorragia interna.

Testemunhas relatam violência

O porteiro do prédio, Jorge Pires, testemunhou as agressões e afirmou ter ficado impressionado com a violência.

“As imagens mostram uma violência muito grande. Bateram muito mesmo”, relatou.

A turismóloga Gabriela Lima também disse ter ouvido as agressões e descreveu o barulho das pancadas.

“Eram pauladas, que não parecia que era em uma pessoa. Eu ouvi gritos. Era um barulho muito contundente, aquele pá, pá, pá, muito contundente. É chocante porque poderia ser qualquer um de nós.”

Família cobra respostas

Uma das irmãs de Cláudio, Fabiana Landeiro Hansen, afirmou que ele estava utilizando uma bicicleta da família no momento do crime.

Ela descreveu o irmão como uma pessoa de coração puro, calma e reservada.

“A família está desolada, eu, minha mãe, irmã. Foi simplesmente uma iniciativa de um indivíduo que pressupôs isso sobre ele. Não teve nenhum motivo”, afirmou Fabiana.

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