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Sócio recusou contratar empresa para limpar piscina de academia em São Paulo

Investigação aponta reação química tóxica que matou professora e intoxicou seis

1 de 11 Uma mulher morreu e ao menos cinco pessoas permanecem internadas após sofrerem uma intoxicação em uma piscina de uma academia no bairro Parque São Lucas | Foto: Reprodução
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A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta quarta-feira (11), os três proprietários da academia C4 GYM, no Parque São Lucas, zona leste da capital, por homicídio após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. A investigação aponta que uma reação química tóxica na piscina provocou a morte da jovem e a intoxicação de outras seis pessoas durante uma aula de natação realizada no último sábado (7).

Em depoimento, um dos sócios do estabelecimento, Celso Bertolo Cruz, afirmou que optou por não contratar uma empresa especializada para a manutenção fixa da piscina, mesmo após o local ter enfrentado problemas técnicos no início de 2025. Segundo ele, a água chegou a ficar turva e o tratamento com cloro deixou de surtir efeito, o que levou à suspensão das aulas e ao fechamento temporário do espaço.

Foto: Reprodução

Proposta recusada

Para resolver a situação emergencial na época, Celso contratou um serviço terceirizado que atuou por alguns dias até restabelecer a qualidade da água. Após o atendimento, a empresa apresentou proposta para assumir definitivamente a manutenção da piscina. No entanto, o empresário recusou a oferta.

De acordo com o inquérito, ele justificou que “decidiu continuar como responsável pela manutenção da piscina por entender que não seria necessária a contratação de uma empresa para isso”.

Reação química e intoxicação

Segundo a polícia, a intoxicação teria sido causada por cloro adulterado, misturado a uma substância ainda não identificada, o que provocou uma reação química tóxica na água. Alunos relataram forte cheiro de produto químico antes de apresentarem ardência nos olhos, nariz e pulmões, além de náuseas e vômitos.

Juliana sofreu uma parada cardíaca, foi socorrida e levada a um hospital em Santo André, mas não resistiu. Entre os sobreviventes, o marido da professora e um adolescente de 14 anos precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva. Outras duas pessoas receberam atendimento médico, e uma criança de 5 anos também passou mal durante a aula.

Imagem das pichações na academia em qu8e aconteceu a morte - Foto: Reprodução

Funcionário sem qualificação

Imagens de câmeras de segurança mostram o manobrista da academia manuseando baldes e aplicando produtos químicos na piscina. Em depoimento, ele declarou que não possui qualificação técnica para a função e que apenas cumpria ordens da gerência. Ao relatar o mal-estar dos alunos, afirmou ter ouvido do proprietário a resposta: “paciência”.

Após o episódio, a Subprefeitura da Vila Prudente interditou preventivamente o estabelecimento por falta de alvará de funcionamento. Também foram constatadas outras irregularidades, como dois CNPJs registrados no mesmo endereço e condições consideradas precárias de segurança.

Investigação em andamento

Segundo a polícia, após o ocorrido, os responsáveis fecharam a academia e deixaram o local sem acionar as autoridades, apesar de o prédio ficar em frente ao 42º Distrito Policial. Para realizar a perícia e coletar amostras da água, os agentes precisaram arrombar o imóvel.

O delegado responsável pelo caso também solicitou a prisão dos empresários. O inquérito aguarda os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML). Em nota, a direção da C4 Gym informou que lamenta o ocorrido e que colabora com as autoridades.

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