- Treinador de jiu-jítsu Bruno Formiga é acusado de assédio e estupro por duas ex-alunas em sua academia na Tijuca.
- Adolescente denuncia também o lutador Cauã Magalhães Amaral por violência sexual em duas ocasiões, uma delas em viagem a Portugal.
- Justiça concedeu medidas protetivas contra Bruno e Cauã após denúncias de assédio e violência sexual em processo em segredo de Justiça.
- Defesa dos acusados nega as acusações, afirmando que informações foram distorcidas e que não há condenações ou indiciamentos.
- Adolescente relatou ter suportado assédio por medo de represálias e foi submetida a acompanhamento psicológico após os fatos.
O treinador de jiu-jítsu Bruno Leonardo Reis de Souza, de 42 anos, conhecido como Bruno Formiga, é alvo de acusações de assédio sexual feitas por duas ex-alunas de sua academia, localizada na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma das mulheres, que é maior de idade, também afirma ter sido vítima de estupro.
Uma adolescente de 17 anos também denunciou Bruno por assédio e acusa o lutador Cauã Magalhães Amaral de estupro. Segundo os relatos apresentados à polícia, os fatos teriam ocorrido quando ela tinha 16 anos. Em abril deste ano, a Justiça concedeu medidas protetivas para a adolescente contra os dois.
O processo tramita em segredo de Justiça e está na fase de investigação policial. Os detalhes das denúncias foram registrados em boletins de ocorrência. A defesa dos acusados nega as acusações e afirma que os fatos estão sendo apresentados de maneira distorcida nas redes sociais e na imprensa.
Denúncias contra o treinador
De acordo com os relatos das duas ex-alunas, Bruno teria utilizado treinamentos e movimentos de jiu-jítsu como justificativa para manter contatos físicos inadequados durante as atividades na academia.
As mulheres também relataram outros comportamentos que consideraram abusivos e afirmaram que, quando demonstravam incômodo, o treinador tratava as situações como brincadeiras. Segundo elas, posteriormente passaram a enfrentar dificuldades dentro da academia.
Uma das denunciantes, de 26 anos, afirma ainda que teria sido vítima de violência sexual durante uma viagem da equipe para São Paulo, em maio de 2025. Segundo o depoimento, ela estava sob efeito de álcool quando o episódio teria ocorrido. No dia seguinte, de acordo com o relato, Bruno teria comprado um contraceptivo de emergência para ela.
A adolescente afirmou à polícia que teria suportado situações de assédio por medo de sofrer represálias e ser prejudicada em sua trajetória esportiva.
Acusação contra outro lutador
Além da denúncia contra Bruno Formiga, a adolescente acusa Cauã Magalhães Amaral de violência sexual em duas ocasiões.
Segundo o relato apresentado à polícia, um dos episódios teria acontecido em dezembro de 2025, dentro da academia. Um atleta teria presenciado parte da situação e posteriormente relatado o que sabia ao pai da adolescente, além de prestar depoimento à polícia.
O segundo caso teria ocorrido durante uma viagem para um torneio em Portugal, em janeiro deste ano. A adolescente afirmou que foi colocada para dormir no mesmo quarto que Cauã e que teria sido pressionada a manter uma relação contra sua vontade.
O pai da jovem declarou à polícia que autorizou a viagem após receber a garantia de que homens e mulheres ficariam em alojamentos separados. Segundo ele, a família só tomou conhecimento dos relatos posteriormente, quando percebeu mudanças no comportamento da filha.
A adolescente passou por acompanhamento psicológico e, posteriormente, contou aos pais o que teria acontecido. A denúncia foi registrada na delegacia no início de fevereiro.
Defesa nega acusações
O advogado Pedro Santiago, responsável pela defesa de Bruno Formiga e Cauã Amaral, nega as acusações. Em nota enviada à imprensa, ele afirmou que informações de uma investigação que tramita em segredo de Justiça foram divulgadas de maneira seletiva.
Segundo o defensor, documentos e depoimentos que poderiam favorecer os acusados não teriam sido apresentados publicamente. Ele também destacou que, após meses de investigação, Bruno não havia sido indiciado pela polícia, denunciado pelo Ministério Público ou condenado pela Justiça.
A defesa também contesta a informação de que Cauã seria instrutor da academia. Segundo o advogado, ele é atleta. Santiago afirma ainda que o relacionamento entre Cauã e a adolescente teria ocorrido de forma consensual e que testemunhas apresentaram essa versão durante a investigação.
Justiça concedeu medidas protetivas
As medidas protetivas solicitadas pela família da adolescente contra Bruno e Cauã foram concedidas em abril pelo juiz João Zacharias de Sá, da 1ª Vara Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após manifestação favorável do Ministério Público.
A decisão foi fundamentada na Lei Henry Borel, que prevê mecanismos de proteção para crianças e adolescentes em situações de violência. A concessão de medidas protetivas não depende de uma condenação criminal e tem como objetivo preservar a segurança da possível vítima durante a apuração dos fatos.
O processo continua sob investigação, e as acusações ainda serão analisadas pelas autoridades responsáveis. Até o momento, não há condenação dos acusados pelos fatos relatados.