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Violência contra mulher: operações resultam em 5,2 mil prisões no país

Ações coordenadas pelo governo federal também cumpriram mais de 300 mandados de prisão e devem ganhar reforço com nova tecnologia de proteção para vítimas em risco

Chico Lucas em seu discurso, nesta sexta-feira (6) | Foto: Tom Costa/MJSP
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Operações policiais voltadas ao combate à violência contra as mulheres resultaram na prisão de 5.238 pessoas em todo o país. As ações também levaram ao cumprimento de 302 mandados de prisão relacionados a esse tipo de crime.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e fazem parte das operações Mulher Segura e Alerta Lilás, que integram o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

Segundo o secretário nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), Chico Lucas, o resultado foi possível devido à atuação conjunta de diferentes forças de segurança.

Essa quantidade de presos em um período relativamente curto foi possível graças à integração entre forças federais, civis e militares. Nossa atuação no combate ao feminicídio será perene e constante. A troca de informações entre bancos de dados é um recurso inteligente que se mostrou eficaz e é usado em paralelo com ações de acolhimento, prevenção e repressão.

Governo promete ampliar tecnologia de proteção

Durante a apresentação do balanço, a secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Carvalho, anunciou que o governo federal deve investir R$ 5 milhões em novas tecnologias para proteção de mulheres em situação de risco.

Entre as medidas previstas está a criação de um sistema semelhante a um “botão de risco”, que poderá ser acionado por mulheres que possuem medidas protetivas contra agressores.

Segundo a secretária, a ferramenta deve reforçar a rede de proteção e agilizar o acionamento das autoridades em situações de ameaça. Além disso, Sheila também enfatizou as entregas do Governo Federal.

Temos o projeto das Salas Lilás, com foco em municípios com menos de 100 mil habitantes, onde há maior incidência de crimes contra mulheres, e o projeto de reflexão que já atende 2,7 mil homens em tratamento para que a violência não volte a acontecer. Manter as mulheres vivas é nossa prioridade.

Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante a apresentação - Foto: Tom Costa/MJSP

Maior mobilização contra feminicídio, diz ministra

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o combate à violência de gênero tem sido tratado como prioridade pelo governo federal. De acordo com ela, os números representam a maior mobilização nacional já realizada para enfrentar o feminicídio.

Esses números representam a maior operação da história do Governo contra o feminicídio. São ações coordenadas de prevenção, proteção e responsabilização. Por meio dessas e de outras iniciativas públicas, queremos erradicar a violência no Brasil.

Violência também envolve redes criminosas

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, destacou que a violência contra mulheres também está relacionada a crimes como exploração sexual e tráfico internacional de pessoas.

Segundo ela, o governo pretende lançar um estudo para ampliar estratégias de enfrentamento a essas redes criminosas.

Operação mobilizou milhares de agentes

A operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, registrou 4.936 prisões, sendo:

  • 3.199 em flagrante

  • 1.737 por cumprimento de mandados

Durante 15 dias de mobilização, participaram da ação:

  • 38.564 agentes de segurança

  • 14.796 viaturas

  • operações em 2.050 municípios

No período, foram realizadas 42.339 diligências, com acompanhamento de 18.002 medidas protetivas e atendimento a 24.337 vítimas.

Além das ações policiais, foram promovidas 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram cerca de 2,2 milhões de pessoas.

Para reforçar as atividades nos estados, o Ministério da Justiça destinou cerca de R$ 2,6 milhões para pagamento de diárias a policiais envolvidos nas operações.

PRF capturou feminicidas

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Antônio Fernando Oliveira, apresentou os resultados da Operação Alerta Lilás, considerada a maior iniciativa da corporação voltada à proteção de mulheres.

Segundo ele, a PRF utilizou cruzamento de dados de inteligência e monitoramento de veículos para localizar suspeitos. A operação resultou na captura de:

  • mais de 27 agressores sexuais

  • 3 acusados de feminicídio

Entre 9 de fevereiro e 5 de março, a PRF realizou 302 prisões relacionadas a crimes de violência contra mulheres. Desse total:

  • 119 prisões (39,4%) ocorreram com base em dados de inteligência;

  • 183 (60,6%) foram resultado de flagrantes durante abordagens operacionais.

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