- PF indiciou 16 funcionários da Voepass por atentado contra segurança do transporte aéreo após acidente em Vinhedo (SP).
- Acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, resultando em 62 mortos e investigado como crime previsto no artigo 261 do Código Penal.
- Laudo aponta falhas no sistema de degelo e descumprimento de procedimentos operacionais como causas da tragédia.
- Caixa-preta registrou reclamação do piloto sobre falhas no sistema de degelo antes da queda da aeronave.
A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quinta-feira (6), 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo no inquérito que apura a queda do avião ATR 72-500 em Vinhedo (SP). O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024 e deixou 62 mortos.
Segundo a PF, os indiciados são apontados como responsáveis ou como pessoas que contribuíram para o acidente por ação ou negligência. O inquérito investiga o crime previsto no artigo 261 do Código Penal, que trata do atentado contra a segurança do transporte aéreo. A polícia também considerou as circunstâncias agravantes previstas para casos em que o crime resulta na queda da aeronave e na morte de pessoas.
Laudo aponta falhas no sistema de degelo e perda de controle da aeronave
Após quase dois anos de investigação, o Instituto Nacional de Criminalística (INC) concluiu que a aeronave perdeu o controle em voo em razão do acúmulo de gelo, da inoperância do sistema pneumático de degelo e da não execução adequada de cinco procedimentos operacionais pelos pilotos.
O laudo afirma que a tragédia foi causada por uma combinação de fatores, incluindo falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em uma área de formação severa de gelo, descumprimento de procedimentos previstos pelo fabricante e sucessivas falhas nas barreiras de segurança.
Segundo a investigação, o acidente foi precedido por falhas envolvendo diferentes tripulações e o Despachante Operacional de Voo (DOV). De acordo com a PF, tripulações anteriores deixaram de registrar panes graves no diário técnico da aeronave para evitar sua retirada de operação.
A perícia também aponta que o despachante autorizou a decolagem mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes e com previsão de formação severa de gelo na rota.
Caixa-preta registrou reclamação do piloto
A análise da caixa-preta revelou que a tripulação já enfrentava problemas no sistema de degelo durante o voo. Em um dos áudios registrados antes da queda, o piloto afirma:
Essa bosta não tá funcionando, né?
A gravação integra os elementos considerados pela Polícia Federal na conclusão do inquérito.