- 23 partidos políticos reconheceram publicamente a vitória de Lula nas eleições de 2026, enquanto cinco não se manifestaram.
- Partidos como PL, MDB e PSDB defendem legitimidade do resultado eleitoral e respeito ao processo democrático.
- PSDB criticou a postura de Flávio Bolsonaro e reforçou a necessidade de respeitar instituições e regras democráticas.
- Novo questiona instituições brasileiras e acusa PT de usar máquina pública para favorecer Lula.
- TSE reconheceu regularidade das eleições e atestou segurança do processo eleitoral.
Pelo menos 23 partidos políticos reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026, enquanto cinco siglas não haviam se manifestado até a conclusão de um levantamento da TV Globo. O partido Novo, por sua vez, publicou críticas às instituições brasileiras e questionou a situação da democracia no país. O levantamento considera manifestações oficiais das legendas e declarações públicas de seus dirigentes, sem incluir o PT, partido do presidente reeleito.
Partidos reconhecem resultado das urnas
As manifestações partiram de partidos com diferentes posições políticas, incluindo legendas que apoiaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial. Entre as siglas que reconheceram o resultado estão PL, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democracia Cristã (DC), Unidade Popular (UP) e PSTU.
O reconhecimento do resultado eleitoral não representa necessariamente apoio ao governo de Lula. Enquanto algumas legendas publicaram notas institucionais em defesa da legitimidade das eleições, outras aproveitaram as manifestações para apresentar críticas políticas ou reforçar suas posições diante do próximo mandato.
O União Brasil, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, defendeu o respeito ao resultado das urnas e afirmou que a disputa eleitoral deve ser encerrada.
“A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”, declarou a legenda.
O presidente nacional do partido, Antonio Rueda, também defendeu que o debate político se concentre nos desafios do país após a votação.
“Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país. A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós”, afirmou.
O MDB também divulgou uma manifestação em defesa do sistema eleitoral brasileiro e da legitimidade do resultado.
“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, afirmou o partido.
PSDB critica postura de Flávio Bolsonaro
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, criticou a postura de Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral. Para o dirigente, a atuação da oposição deve ocorrer dentro do país e respeitar as regras democráticas e as instituições.
“O exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ele deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo e cobrando os compromissos por ele assumidos com a população [...] Mas tudo isso tem que ser feito dentro das regras da democracia, com respeito às instituições e ao processo eleitoral”, declarou.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o resultado eleitoral e desembarcou nos Estados Unidos. Em seguida, divulgou uma carta na qual contestou o resultado das urnas, alegou supostas irregularidades e se declarou o “verdadeiro presidente do Brasil”, usando também a expressão “presidente eleito”.
Em uma segunda publicação, o senador substituiu essas expressões por “líder do Brasil” e “líder”.
Partidos contestam acusações sobre o processo eleitoral
Após as declarações de Flávio Bolsonaro, partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede Sustentabilidade e PDT divulgaram uma manifestação conjunta contra a interferência estrangeira no processo democrático brasileiro.
“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático”, afirmaram as siglas.
Na mesma nota, os partidos criticaram a saída do candidato derrotado do país e contestaram as alegações de irregularidades eleitorais.
“A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país”, disseram.
O Partido da Causa Operária (PCO) também reconheceu a vitória de Lula, embora tenha publicado manifestações nas quais afirma que Flávio Bolsonaro é perseguido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Já o Partido Comunista Brasileiro (PCB) declarou que a vitória do petista tem significado que vai além da disputa eleitoral.
“Trata-se de um acontecimento que ultrapassa os limites de uma disputa eleitoral e assume um significado político e geopolítico de grande dimensão”, afirmou a legenda.
Democrata e Democracia Cristã confirmam reconhecimento
O partido Democrata publicou uma nota para explicar por que não havia se manifestado anteriormente sobre o resultado. A legenda afirmou que considera desnecessário emitir um comunicado para reconhecer uma eleição que já considera válida.
“Até agora não tínhamos emitido nota porque achamos desnecessário concordar com o que já é válido. Eleição válida não precisa de nota de partido para valer”, declarou.
O texto também destacou que a sigla participou da disputa presidencial com candidatura própria e respeitou o resultado após não conquistar a vitória.
“Democracia é aceitar as regras antes da disputa e respeitar o resultado depois dela, ganhe quem ganhar. Todos os lados participaram, com a fiscalização da Justiça Eleitoral. O DEMOCRATA também disputou, com chapa própria à Presidência da República. Não vencemos, e respeitamos o resultado, como se espera de quem entra numa disputa democrática”, diz a nota assinada pelo presidente da legenda, Suêd Haidar.
O presidente nacional da Democracia Cristã (DC), João Caldas, também afirmou que o partido reconhece o resultado eleitoral e defendeu que eventuais discordâncias sejam encaminhadas pelos meios legais.
“Quem ganha, vai para o governo. Quem perde, vai para a oposição. Se alguém não concorda com algo, tem o caminho judicial”, afirmou.
Novo questiona instituições brasileiras
O Novo adotou uma posição crítica ao resultado e publicou uma manifestação na qual acusou o PT de utilizar a máquina pública para favorecer a reeleição de Lula. A legenda também questionou o funcionamento das instituições brasileiras e afirmou que possui ações judiciais para contestar a chapa vencedora.
“Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF para se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula”, declarou o partido.
O levantamento também considerou o Missão, cujo presidente, Renan Santos, concedeu entrevistas sobre o resultado eleitoral, embora a legenda não tenha publicado uma manifestação direta reconhecendo a vitória de Lula.
O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), por sua vez, anunciou que passará a se chamar Brasileiro e informou que pretende construir uma alternativa política de terceira via.
TSE reconheceu regularidade das eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a vitória de Lula no domingo (25), após a totalização dos votos, e atestou a regularidade do processo eleitoral.
Após a divulgação da carta de Flávio Bolsonaro com questionamentos ao resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições foram realizadas com segurança e dentro da normalidade.
Segundo o levantamento, o Brasil tem 30 partidos políticos registrados no TSE. A relação analisada reúne 29 siglas, sem incluir o PT, partido do presidente reeleito.