- Ex-vereador Alan Brandão é alvo da Operação Conectados.
- A operação busca apurar esquema de contratos municipais com fraude e corrupção.
- PF cumpriu mandados de busca em Teresina e Oeiras, incluindo escritório de contabilidade de Alan Brandão.
- Defesa de Alan Brandão afirma que ele não é investigado na operação atual.
O ex-vereador de Teresina e atual superintendente da SDU Norte, Alan Brandão, divulgou nesta terça-feira (2) uma nota pública para esclarecer sua situação após a deflagração da segunda fase da Operação Conectados, conduzida pela Polícia Federal no Piauí.
A manifestação ocorreu após a realização de mandados de busca e apreensão em Teresina e Oeiras, incluindo diligências em uma empresa de contabilidade da qual Alan é um dos sócios. Diante da repercussão da operação, a defesa do gestor afirmou que ele não integra a lista de investigados.
Segundo a nota, “O Sr. Alan Brandão não figurou entre os alvos da operação noticiada nesta terça feira, nem consta do rol de investigados a ela vinculado, sendo desprovida de fundamento qualquer associação de seu nome aos atos hoje praticados.”
OPERAÇÃO INVESTIGA ESQUEMA COM CONTRATOS MUNICIPAIS
A ação da Polícia Federal cumpre 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina e Oeiras. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de utilizar contratos de assessoria firmados com prefeituras para favorecer fraudes em processos licitatórios, além de possíveis práticas de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de beneficiários finais das contratações.
De acordo com a corporação, esta etapa busca aprofundar as investigações iniciadas em 2024.
Em nota divulgada à imprensa, a PF informou que “Esta segunda fase busca aprofundar a apuração sobre a estrutura do grupo, a função de cada investigado, a movimentação dos valores e a possível continuidade das práticas criminosas.”
Ainda segundo a instituição, durante as diligências foram recolhidos equipamentos eletrônicos, documentos, registros financeiros e dinheiro em espécie cuja origem será analisada pelos investigadores.
DEFESA CITA DECISÃO DO STJ
No esclarecimento divulgado nesta terça-feira, os advogados de Alan Brandão ressaltam que a operação atual representa um desdobramento de procedimentos já existentes e que seu cliente não possui condição formal de investigado nesta fase.
A defesa também destacou que uma investigação anterior relacionada aos mesmos fatos encontra-se suspensa em relação ao ex-vereador por determinação do Superior Tribunal de Justiça.
Conforme a nota, “Registra-se, ademais, que por força de decisão do Superior Tribunal de Justiça, a investigação anterior, realizada em 2024, encontra-se suspensa no que diz respeito ao Sr. Alan Brandão, de modo que está sendo apurada a regularidade da inclusão de seu nome nos fatos sob apuração.”
Os advogados afirmam ainda que acompanham o caso e defendem que qualquer referência ao nome do gestor seja tratada com cautela até a conclusão dos procedimentos em andamento.
INVESTIGAÇÃO TEVE ORIGEM EM APURAÇÕES DA CGU
As investigações contam com o acompanhamento de técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU). O trabalho teve início após auditorias apontarem possíveis irregularidades em contratos firmados por uma empresa de tecnologia com municípios piauienses utilizando recursos federais destinados principalmente às áreas da saúde e da educação.
Os investigadores apuram suspeitas de direcionamento de contratações públicas, superfaturamento e favorecimento empresarial.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por crimes como associação criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outras infrações que eventualmente sejam identificadas ao longo das investigações.
ESCRITÓRIO JÁ HAVIA SIDO ALVO EM 2024
A empresa de contabilidade alvo das diligências desta terça-feira já havia sido alcançada pela primeira fase da Operação Conectados, realizada em 2024.
Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de busca e apreensão entre Teresina e Oeiras e promoveu o bloqueio de bens e valores. Durante aquela operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 1,6 milhão em espécie no escritório.
A investigação também apontou contratos mantidos com diversas prefeituras do estado, incluindo o município de Oeiras, considerado um dos principais focos da apuração.
Relatórios da CGU identificaram indícios de favorecimento em processos licitatórios envolvendo uma empresa sediada em Teresina que, apesar de ter sido constituída recentemente, acumulou contratos milionários com municípios piauienses.
Segundo os levantamentos do órgão de controle, apenas em Oeiras os pagamentos à empresa investigada chegaram a cerca de R$ 4,5 milhões. A auditoria apontou ainda possíveis sobrepreços que teriam causado prejuízos aos cofres públicos e reduzido recursos destinados a áreas essenciais como saúde, educação e assistência social.
DEFESA PEDE CAUTELA
A defesa declarou que espera dos meios de comunicação uma cobertura pautada pelo rigor dos fatos e pelo respeito à presunção de inocência, destacando a necessidade de preservar a imagem e a dignidade de seu cliente enquanto as investigações seguem em andamento.