SEÇÕES

Alexandre de Moraes aguarda defesa explicar possível “falta” em domiciliar de Bolsonaro

PGR recomendou que STF espere conclusão de investigações sobre arma apreendida em blitz antes de decidir retorno do ex-presidente à Papudinha

Ver Resumo
  • Ministro Alexandre de Moraes aguarda defesa de Bolsonaro para decidir se posse de arma em prisão domiciliar configura falta grave.
  • Arma Glock foi apreendida em veículo de segurança em junho e confirmada como propriedade de Bolsonaro durante depoimento.
  • Lei de Execução Penal prevê sanções, como regressão de regime, caso posse de arma seja considerada infração grave.
  • PGR recomendou aguardar conclusão das investigações antes de julgar se houve descumprimento das condições da prisão.
  • Caso depende da manifestação da defesa de Bolsonaro para definição de medidas na execução da pena.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Siga-nos no

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), aguarda a manifestação da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para decidir se a posse de uma arma de fogo em sua residência configura falta grave durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária. Bolsonaro completou 90 dias em prisão domiciliar na última quarta-feira (24).

O caso teve início após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 mm, registrada em nome de Bolsonaro. A arma foi encontrada no dia 15 de junho em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, responsável pela segurança do ex-presidente.

Em depoimento à Polícia Civil, Bolsonaro confirmou ser o proprietário da pistola e afirmou que mantinha a arma em casa durante o cumprimento da prisão domiciliar. Como justificativa, declarou que não poderia "ficar desarmado" por ter "três mulheres em casa": sua esposa Michelle Bolsonaro, sua filha Laura Bolsonaro e sua enteada Letícia.

Possível punição na execução da pena

Segundo Alexandre de Moraes, a Lei de Execução Penal considera falta grave a posse indevida de instrumento capaz de ferir terceiros. Caso a infração seja reconhecida, Bolsonaro poderá sofrer sanções na execução da pena, como a regressão de regime e até a revogação da prisão domiciliar humanitária.

Antes de decidir sobre o caso, Moraes concedeu prazo de 48 horas para manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa.

No parecer enviado ao STF na quinta-feira (25), o procurador-geral Paulo Gonet recomendou que a Corte aguarde a conclusão das investigações sobre a arma apreendida. Para a PGR, o episódio ainda está em fase inicial e não há elementos suficientes, neste momento, para caracterizar falta disciplinar ou descumprimento das condições impostas ao ex-presidente.

O parecer também destaca que o reconhecimento de uma falta grave exige mais do que o enquadramento do fato na lei, sendo necessária a análise dos impactos da conduta sobre a ordem jurídica e os objetivos da execução penal.

Defesa ainda deve se manifestar

Com o parecer da PGR já anexado ao processo, o caso aguarda agora a manifestação da defesa de Bolsonaro. Somente depois disso, Alexandre de Moraes decidirá se determina o retorno do ex-presidente ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, ou se acompanha o entendimento da PGR e aguarda a conclusão da investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também