As eleições municipais em Roterdã, uma das principais cidades da Holanda, passaram a ser alvo de controvérsia após uma candidata eleita para a Câmara ser acusada de utilizar uma imagem gerada por inteligência artificial durante a campanha.
ACUSAÇÃO E REPERCUSSÃO
Patricia Reichman, de 59 anos, conquistou uma vaga como vereadora no último dia 18, representando moradores de uma região residencial no norte da cidade. No entanto, eleitores passaram a questionar sua aparência após perceberem diferenças entre sua imagem real e as fotos divulgadas em um jornal local.
Nas imagens, a candidata aparenta ser significativamente mais jovem, o que levantou suspeitas sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial na criação ou edição da foto.
DEFESA DA CANDIDATA
Patricia negou as acusações e afirmou que a imagem é autêntica, tendo passado apenas por ajustes técnicos. “A foto publicada no jornal do bairro tinha uma resolução muito baixa, então passei ela em uma ferramenta online para aumentar a quantidade de pixels. É realmente uma foto minha, aquela sou eu. Estou um pouco diferente no momento, mas isso é por causa dos remédios que estou tomando. Isso vai terminar em breve”, declarou ao jornal Algemeen Dagblad.
Ela também reconheceu que aparenta ser mais jovem na imagem, mas alegou que isso não foge da sua aparência habitual. “Quando saio com o meu filho, as pessoas frequentemente pensam que sou namorada dele. Escuto isso o tempo todo, que pareço notavelmente jovem para a minha idade.”
REAÇÃO DO PARTIDO
A candidata disputou o pleito pelo partido Leefbaar, que decidiu se posicionar oficialmente após a repercussão. Em nota, a legenda afirmou que a imagem “claramente foi fortemente manipulada com inteligência artificial e não casa com a realidade”.
O partido ressaltou ainda que a foto não foi utilizada em materiais oficiais da campanha nem divulgada pela sigla.
RUPTURA POLÍTICA
Diante do caso, a direção do Leefbaar optou por expulsar Patricia e solicitou que ela renunciasse ao cargo — pedido que foi recusado. Segundo um porta-voz da legenda, “ficou evidente que ela não disse a verdade em relação a vários assuntos, o que impossibilita qualquer cooperação da nossa parte”.
Com isso, a vereadora eleita não poderá assumir o mandato em nome do partido, ampliando a crise política em torno do episódio.