O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos, nesta sexta-feira (30), novos documentos relacionados ao caso do financista bilionário Jeffrey Epstein, acusado de crimes sexuais e que morreu em 10 de agosto de 2019, após suicídio na cela do Metropolitan Correctional Center, em Nova York.
REDE INTERNACIONAL
O conteúdo divulgado revela a existência de uma articulação internacional ligada à ultradireita, que mistura crimes sexuais, incluindo pedofilia, com discussões estratégicas para fortalecer lideranças políticas alinhadas ideologicamente, em diferentes países. Entre os nomes citados nos documentos está o do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL).
FACADA EM 2018
Entre os registros, aparece a reação de Epstein ao ser comunicado sobre o atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Em uma conversa registrada, um interlocutor informou: “Bolsonaro acabou de ser esfaqueado no Brasil”. A resposta do financista foi direta: “Antes ele do que eu”.
O ataque ocorreu em setembro de 2018, durante um evento de campanha em Juiz de Fora (MG). O autor da agressão foi identificado como Adélio Bispo de Oliveira.
BOLSONARO E BANNON
Apesar do tom da reação ao atentado, os documentos indicam que Epstein demonstrava preferência política por Bolsonaro em diálogos mantidos com Steve Bannon, ex-estrategista do primeiro governo Donald Trump e um dos articuladores de O Movimento, organização internacional de viés neofascista que tem Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como representante na América Latina.
O nome de Bolsonaro aparece em pelo menos 74 arquivos incluídos no conjunto de documentos agora revelado pelas autoridades norte-americanas.
SLOGAN DE CAMPANHA
Em uma das transcrições, Epstein chega a sugerir a Bannon um lema para a campanha presidencial brasileira: MBGA (Make Brazil Great Again), inspirado no slogan MAGA (Make America Great Again), utilizado por Trump nos Estados Unidos.
A conversa foi registrada em 12 de outubro de 2018, quando os dois discutiam o avanço de lideranças da ultradireita no cenário internacional, citando nomes como Marine Le Pen, na França, Matteo Salvini, na Itália, e Jair Bolsonaro, no Brasil.
CONDENAÇÃO E PRISÃO
No Brasil, Jair Bolsonaro foi condenado no ano passado a 27 anos e três meses de prisão, por liderar uma trama golpista que teria como objetivo interferir no resultado das eleições de 2022 e promover um golpe de Estado.
Atualmente, o ex-presidente cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, em Brasília, unidade conhecida como “Papudinha”.