Um novo laudo médico concluiu que Adélio Bispo, autor do atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018, apresentou agravamento relevante do quadro de saúde mental enquanto esteve no sistema prisional. As informações foram divulgadas pela colunista Manoela Alcântara, do portal Metrópoles.
De acordo com o documento, Adélio apresenta delírios persistentes, prejuízo na percepção da realidade e necessidade de internação em hospital psiquiátrico de custódia, sem qualquer indicação de concessão de liberdade.
DIAGNÓSTICO E RISCO CONTÍNUO
O laudo aponta diagnóstico de esquizofrenia paranoide e classifica a situação clínica como de “risco contínuo”. Os peritos afirmam que não há expectativa de melhora significativa dentro do ambiente prisional e que o paciente não pode conviver socialmente sem medidas rigorosas de segurança.
A recomendação médica é categórica ao indicar a internação em hospital psiquiátrico de custódia, afastando qualquer possibilidade de retorno ao convívio social ou progressão para liberdade assistida.
MUDANÇA EM RELAÇÃO À PERÍCIA DE 2019
Encaminhado de forma sigilosa à 5ª Vara Criminal de Campo Grande, o novo parecer aponta mudança substancial em relação à perícia realizada em 2019, quando Adélio foi considerado inimputável por apresentar transtorno delirante permanente paranoide. Sete anos depois, os especialistas identificaram deterioração do quadro, com alucinações frequentes e prejuízo funcional significativo.
RECUSA AO TRATAMENTO E ISOLAMENTO
Segundo os peritos, Adélio não reconhece a própria condição clínica, não entende a necessidade de tratamento e se recusa a fazer uso de medicação, afirmando que “não é doido”. O laudo descreve ainda isolamento social, baixa adaptação ao ambiente institucional e episódios recorrentes de instabilidade emocional.
“A análise clínica longitudinal do Sr. Adélio Bispo de Oliveira demonstra um quadro de transtorno mental crônico, com características compatíveis com transtorno esquizofrênico, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da própria psicose. Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado, conforme a literatura psiquiátrica consolidada”, diz trecho do laudo.
Os especialistas também apontam que o ambiente prisional atua como fator agravante, destacando que a vigilância constante contribui para a manutenção e progressão dos sintomas, embora não haja registros recentes de comportamento agressivo.
PERÍCIA, ENCAMINHAMENTOS E SITUAÇÃO ATUAL
A perícia foi solicitada pela Defensoria Pública da União (DPU) e teve como objetivo avaliar a possibilidade de saída de Adélio do sistema prisional. O exame foi realizado no início de novembro do ano passado.
Os peritos sugerem, como alternativa terapêutica, o encaminhamento para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal do detento, mas reforçam que a manutenção em presídio federal não é recomendada do ponto de vista clínico.
Apesar disso, por decisão judicial, Adélio deve permanecer sob custódia até pelo menos 2038, quando completará 60 anos. Atualmente, ele ocupa uma cela individual de aproximadamente seis metros quadrados e, desde que ingressou no sistema, não mantém convívio com outros detentos.
ATAQUE OCORREU EM SURTO PSICÓTICO
Conforme os peritos, todas as avaliações constantes no processo convergem para a conclusão de que o ataque contra Bolsonaro ocorreu durante um “surto psicótico, com evidente incapacidade de autocrítica”. Os laudos mencionam delírios autorreferenciais e persecutórios, além de perda do juízo de realidade, entendimento compartilhado tanto por peritos oficiais quanto por assistentes técnicos.