O Banco Central sinalizou que o ciclo de redução da taxa básica de juros deve ter início na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A informação foi confirmada nesta terça-feira (3), por meio da ata divulgada pela autoridade monetária, que também reforçou a necessidade de manter os juros em nível restritivo por um período prolongado.
“O Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião. Ao mesmo tempo, de maneira unânime, reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação, como também a ancoragem das expectativas à meta”, afirma o comunicado.
Na última reunião, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. Segundo a ata, a intensidade e a duração do atual ciclo de política monetária contracionista serão definidas ao longo do tempo, conforme novas informações forem incorporadas às análises do colegiado.
De acordo com a avaliação do Comitê, o início do ciclo de flexibilização monetária, combinado com a manutenção de uma postura restritiva, é compatível com o cenário econômico atual. O ambiente segue marcado por sinais mistos quanto ao ritmo de desaceleração da atividade econômica e aos seus efeitos, o que dificulta a identificação de tendências claras.
“Mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, destaca o texto.
A ata também aponta que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e junto a diversos grupos de agentes econômicos, seguem em trajetória de queda, mas permanecem acima da meta em todos os horizontes analisados.
Em 2025, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o ano em 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.
Segundo o Comitê, o atual cenário de expectativas desancoradas exige uma postura mais rigorosa da política monetária. “A principal conclusão, compartilhada por todos os membros do Comitê, é que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, faz-se necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado em outros contextos”, afirma o documento.
Taxa de juros neutra
O Copom também reforçou a avaliação de que a perda de ímpeto nas reformas estruturais, a fragilidade da disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas em torno da estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia, parâmetro fundamental para a condução da política monetária.
De acordo com o Comitê, um aumento da taxa neutra pode reduzir a eficácia da Selic como instrumento de controle inflacionário e elevar o custo do processo de desinflação, especialmente em termos de impacto sobre a atividade econômica.