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Brasil discorda de relatório dos EUA e fala em aplicar Lei da Reciprocidade

Governo rejeita acusações sobre trabalho forçado e critica proposta de tarifas extras contra produtos brasileiros

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  • O governo do Brasil discorda das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos EUA sobre trabalho forçado.
  • Palácio do Planalto classificou a medida como protecionista e ameaça recorrer à Lei da Reciprocidade.
  • O Brasil é acusado de não ter mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
  • Governo brasileiro busca manter diálogo com EUA e evitar adoção de novas tarifas.
Lula durante reunião ministerial nesta terça-feira (31) | Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
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O governo do Brasil afirmou nesta quarta-feira (3) que discorda de forma "profunda" das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas falhas de 59 países, incluindo o Brasil, no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a medida como protecionista e informou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade caso os Estados Unidos adotem novas barreiras comerciais contra o país.

A reação ocorre após o governo norte-americano concluir uma investigação que avaliou as políticas de fiscalização de diversos países. O relatório apontou que o Brasil e outras nações não teriam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, o USTR recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos desses países.

Governo vê protecionismo

Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que a questão trabalhista está sendo utilizada como justificativa para medidas comerciais unilaterais. O comunicado também destacou que o Brasil poderá utilizar instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder a eventuais ações consideradas injustas.

"É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", afirmou o Palácio do Planalto.

O governo acrescentou que se reserva o direito de adotar medidas equivalentes para proteger os interesses nacionais e reduzir possíveis impactos sobre a economia brasileira.

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva durante Anúncio à imprensa — Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR 

Brasil destaca combate ao trabalho escravo

Na manifestação enviada aos Estados Unidos durante o processo de investigação, o governo brasileiro afirmou ter apresentado informações detalhadas sobre a legislação e os mecanismos de fiscalização existentes no país.

Segundo o comunicado, a Receita Federal (RF) e outros órgãos de controle possuem autorização legal para impedir a entrada de mercadorias que atentem contra a ordem pública ou que tenham sido produzidas com trabalho forçado. O governo também ressaltou que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma referência mundial no combate ao trabalho escravo contemporâneo.

Além disso, o documento destaca que acordos comerciais firmados pelo Mercosul já incluem compromissos relacionados à eliminação do trabalho forçado, incluindo tratados assinados com o Chile, a União Europeia (UE) e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).

Busca por acordo continua

Apesar da divergência com as conclusões do relatório americano, o governo brasileiro informou que pretende manter o diálogo com os Estados Unidos. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirmou que continua disponível para cooperar com as autoridades norte-americanas em temas relacionados à proteção dos trabalhadores.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros defendem a continuidade das negociações para evitar a adoção de novas tarifas e preservar as relações comerciais entre os dois países. A orientação do governo segue sendo a busca por um entendimento que impeça o agravamento da disputa.

Senado pede cautela

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, afirmou que a reciprocidade é um instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais, mas defendeu cautela na condução das negociações.

Enquanto as conversas seguem, o governo brasileiro afirma que continuará acompanhando o caso e adotará medidas para proteger a economia, os empregos e a renda dos brasileiros diante de possíveis sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos.

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