- Brasil e EUA retomam negociações sobre tarifas após reunião virtual marcada para 31 de julho.
- Ministro do MDIC e representante comercial dos EUA discutirão ampliação de exceções tarifárias.
- Conversa entre Lula e Trump acelerou retomada do diálogo sobre medidas comerciais impostas pelos EUA.
- Brasil busca incluir mais produtos nas exceções e, posteriormente, revisão das tarifas adicionais.
- Estados Unidos aplicou tarifas de 25% e 12,5%, totalizando 37,5% sobre alguns produtos brasileiros.
Brasil e Estados Unidos vão retomar as negociações sobre as tarifas impostas pelos americanos a produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, terão uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.
A informação foi confirmada por Márcio Elias Rosa à TV Globo. Segundo o ministro, o encontro foi acertado após uma troca de mensagens com Greer e será o primeiro passo de uma nova rodada de conversas técnicas entre os dois países.
A prioridade inicial do governo brasileiro é ampliar a lista de produtos que ficaram fora das tarifas americanas. Em uma etapa posterior, o Brasil pretende discutir a possibilidade de reversão das medidas adotadas pelos Estados Unidos.
conversa entre Lula e Trump
A retomada do diálogo ocorre depois de uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na semana passada.
A ligação durou cerca de 1h20 e teve como principal tema as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Segundo o Palácio do Planalto, Lula argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a retomada das negociações. Trump concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e indicou que as equipes técnicas deveriam voltar a conversar.
Depois da ligação, Greer procurou Márcio Elias Rosa para reabrir o canal de negociação.
Na sexta-feira (21), o ministro afirmou que os dois haviam combinado reservar uma data para dar continuidade ao diálogo e reconstruir o processo de negociação entre os governos.
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Instagram/@lulaoficial
Brasil quer ampliar lista de exceções
O governo brasileiro pretende usar a nova rodada de negociações para tentar retirar mais produtos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.
As delegações já haviam conversado anteriormente, mas não chegaram a um acordo. Segundo o governo brasileiro, mais de 30 contatos foram realizados com autoridades americanas desde o anúncio das tarifas, incluindo conversas com Greer e outros representantes do governo dos EUA.
A expectativa agora é que a retomada das reuniões técnicas permita avançar primeiro nas exceções e, posteriormente, em uma possível revisão das tarifas.
Entenda o tarifaço dos EUA sobre o Brasil
Os Estados Unidos aplicaram neste ano duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
A primeira acrescentou uma alíquota de 25% sobre parte das exportações brasileiras, após uma investigação do governo americano apontar práticas que, segundo os Estados Unidos, “oneram ou restringem” o comércio bilateral. Entre os pontos citados estavam o Pix e a regulação de plataformas digitais.
Posteriormente, os americanos anunciaram uma segunda tarifa adicional de 12,5%. Com as duas medidas, parte dos produtos brasileiros passou a enfrentar uma alíquota total de 37,5% para entrar no mercado americano.
Café, petróleo e carne ficaram fora da cobrança
Apesar do tarifaço, milhares de produtos brasileiros ficaram fora da cobrança adicional. Entre eles estão produtos importantes para as exportações do país, como petróleo, café e carne bovina.
Por outro lado, setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuaram submetidos à tarifa máxima.
Com a retomada das negociações, o governo brasileiro tenta ampliar a lista de exceções e, em uma segunda etapa, buscar um acordo que reduza os impactos das tarifas sobre as exportações brasileiras.