- O Brasil sofreu maior aumento de tarifas dos EUA, que subiu de 11% para 17,7%, segundo análise do Financial Times.
- Países europeus, como França e Alemanha, tiveram redução nas tarifas efetivas aplicadas pelos Estados Unidos.
- Novo modelo tarifário dos EUA substituiu a tarifa global por alíquotas específicas, dificultando ações judiciais contra a política comercial.
- Brasil enfrenta risco de tarifas de até 37,5% sobre exportações, enquanto União Europeia ganha alívio tarifário.
- China, Vietnã e outros países da Ásia também tiveram aumento nas tarifas efetivas impostas pelos Estados Unidos.
O Brasil foi o país mais prejudicado pela reformulação da política tarifária dos Estados Unidos anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo Financial Times nesta sexta-feira (24).
Com base em um levantamento da organização independente Global Trade Alert, o jornal afirma que a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, o maior aumento registrado entre os principais parceiros comerciais dos EUA.
Enquanto isso, países europeus passaram a enfrentar uma carga tarifária menor. França, Reino Unido, Alemanha e Espanha estão entre os que tiveram redução nas alíquotas efetivas.
tarifa global foi substituída
A mudança ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas por Trump em abril de 2025. Para manter a política comercial, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por alíquotas específicas para cada país, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, em entrevista ao Financial Times, o novo modelo também dificulta que uma eventual decisão judicial derrube toda a política tarifária de uma só vez. Caso um país consiga reverter a medida na Justiça, a decisão tende a produzir efeitos apenas para ele.
Mesmo com as mudanças, a tarifa média efetiva cobrada pelos Estados Unidos sobre produtos importados permaneceu praticamente estável, em 10,8%, de acordo com a Global Trade Alert.
Na quinta-feira (23), os EUA anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, sob a justificativa de combater a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24) e, como o Brasil já está sujeito a uma tarifa adicional de 25%, parte das exportações brasileiras poderá ser taxada em até 37,5%. O governo americano prevê exceções para produtos considerados estratégicos.
Em resposta, o governo brasileiro ampliou o apoio às empresas atingidas por meio do Plano Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para os setores afetados.
Europa ganha alívio
O estudo mostra que a Europa foi relativamente beneficiada pela nova política tarifária. Bélgica, Espanha e Itália registraram as maiores reduções nas tarifas efetivas, entre um e 1,5 ponto percentual.
Segundo Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, isso ocorreu porque parte das exportações europeias passou a se enquadrar em exceções criadas pelos Estados Unidos para produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa.
Além disso, a tarifa básica de 10% aplicada à União Europeia deixou de ser acumulada com outras cobranças, reduzindo o peso total das taxas sobre diversos produtos do bloco.
"As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente", afirmou Fritz ao Financial Times.
Outros países também foram afetados
Além do Brasil, outros países da América Latina e da Ásia registraram aumento nas tarifas efetivas impostas pelos Estados Unidos. China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia tiveram alta entre 0,5 e 1 ponto percentual.
Apesar do alívio tarifário, a União Europeia segue atenta a novas investigações comerciais conduzidas pelos EUA, que podem resultar em cobranças adicionais sobre setores industriais.
Caso isso ocorra, a Comissão Europeia mantém preparado um pacote de retaliação que pode atingir cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja.