Em um ato de solidariedade, o Brasil enviará 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde para apoiar a população da Venezuela. A medida ocorre após o ataque bélico do último sábado, que destruiu o maior centro de distribuição de medicamentos e insumos do país vizinho.
Para garantir o tratamento de 16 mil pacientes venezuelanos em hemodiálise, o Ministério da Saúde enviará, na manhã desta sexta-feira (9), as primeiras 40 toneladas de insumos médico-hospitalares. A continuidade do tratamento é essencial para a preservação da vida desses pacientes.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a doação não compromete o atendimento aos 170 mil pacientes de diálise no Brasil, já que os estoques do país estão seguros. Padilha também lembrou que, durante a pandemia de Covid-19, a Venezuela forneceu 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o Brasil.
Origem das doações
Os materiais enviados foram garantidos por doações de hospitais universitários federais (UFRJ, UNIFAP, UFC, UFAM, UFMG), unidades da Ebserh, Secretaria de Saúde do Amazonas, IMIP, Grupo Hospitalar Conceição, Real Hospital Português e outras instituições parceiras.
A remessa inclui medicamentos de uso contínuo, filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções para hemodiálise. Todo o material ficará armazenado no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP). A primeira remessa será levada por um avião venezuelano, e novos envios ocorrerão conforme agendamento.
Carta à Venezuela
Na quinta-feira (8), o ministro Alexandre Padilha enviou uma carta à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, reforçando o apoio brasileiro e a garantia de assistência à população, especialmente aos pacientes de diálise afetados pelo ataque.
Apoio à população na fronteira
O governo brasileiro mantém 40 profissionais de saúde na Operação Acolhida, atuando em Pacaraima e Boa Vista (RR) em parceria com secretarias locais e Forças Armadas. Entre eles estão médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e mediadores interculturais.
Além disso, a Força Nacional de Segurança Pública foi enviada a Pacaraima e Boa Vista por 90 dias para garantir a ordem pública e a proteção de pessoas e patrimônios. A medida complementa as ações da Força Nacional do SUS, que realizou diagnóstico da situação e orientação das equipes locais.