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Brasil viciado, endividado e ignorado: Congresso faz vista grossa ao tigrinho

Levantamento aponta que 62% dos eleitores ligam apostas ao vício e 44% querem proibição. Veja o impacto das bets na economia e na política brasileira.

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  • A maioria dos eleitores brasileiros associa apostas esportivas online ao aumento do endividamento e ao vício.
  • 44% dos entrevistados defendem a proibição das apostas online no Brasil, enquanto 24% apoiam a continuidade.
  • A pesquisa mostra que os homens apostam mais do que as mulheres, com 30% de público masculino realizando apostas nos últimos 30 dias.
  • Empresários ligados ao setor mantêm proximidade com integrantes do Congresso Nacional, dificultando a proibição das apostas online.
Jogos | Foto: Reprodução
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Uma pesquisa recente revelou que a maior parte dos eleitores brasileiros associa as apostas esportivas online, conhecidas como “bets”, ao aumento do endividamento e ao vício. O levantamento mostra que 59% da população acreditam que as plataformas contribuem para problemas financeiros, enquanto 62% afirmam que elas provocam dependência.

Diante desse cenário, 44% dos entrevistados defendem a proibição das apostas online no Brasil, percentual superior aos 24% que apoiam a continuidade das operações. O tema já começa a ser observado com atenção por grupos políticos e pré-campanhas para as eleições presidenciais.

Os dados também mostram que os homens apostam mais do que as mulheres. Segundo a pesquisa, quase 30% do público masculino realizou apostas nos últimos 30 dias, contra 22% do público feminino.

O levantamento aponta ainda que as apostas têm maior alcance justamente entre as pessoas de menor renda. Entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo, cerca de 25,8% afirmaram ter apostado recentemente. O dado reforça o debate sobre o impacto social das plataformas e as promessas de enriquecimento rápido frequentemente associadas ao setor.

Enquanto cresce a pressão popular por maior controle das bets, empresários ligados ao segmento mantêm proximidade com integrantes do Congresso Nacional. Um dos episódios mais comentados foi o chamado “Bonde do Tigrinho”, envolvendo o empresário Fernandinho OIG, ligado ao ramo das apostas, que levou em viagem ao Caribe nomes influentes da política nacional, entre eles o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e deputados federais.

O episódio ganhou repercussão em meio aos trabalhos da CPI das Bets no Senado. Apesar de a relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), ter apresentado relatório com pedidos de indiciamento, o parecer acabou rejeitado pela maioria dos parlamentares.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a proibição das apostas online dificilmente avançará nesta legislatura. Ao contrário, parlamentares seguem próximos do setor, que se tornou uma das áreas de maior influência econômica e política do país nos últimos anos.


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