- Advogado afirma que réus não têm plano para pagar pensões e indenizações às crianças vítimas do acidente.
- Suspeita de ocultação de patrimônio e uso de contas de terceiros para evitar responsabilização financeira.
- Crianças precisam de tratamento psicológico, mas não recebem custeio dos responsáveis pelo acidente.
- Justiça determinou pagamento de indenizações, mas réus ainda não apresentaram plano de pagamento.
- Acidente ocorreu em 6 de outubro de 2024, na zona Sul de Teresina, com vítimas fatais e feridas graves.
O advogado Luan Felix, que representa familiares das vítimas do atropelamento envolvendo Pedro Lopes, conhecido como Lokinho, afirmou que os réus não apresentam um plano de pagamento de pensões e indenizações às crianças que perderam as mães no acidente ocorrido em 6 de outubro de 2024, na zona Sul de Teresina. Em entrevista ao programa Patrulha, da TV Meio Norte, nesta sexta-feira (23), ele também levantou suspeitas de ocultação de patrimônio e disse que as famílias precisam recorrer a vaquinhas para arcar com despesas, incluindo tratamentos de saúde.
Advogado questiona patrimônio dos envolvidos
Durante a entrevista, Luan Felix afirmou que, apesar das determinações judiciais de bloqueio de contas e bens móveis e imóveis, há dificuldades para localizar patrimônio que possa garantir o pagamento das obrigações. Segundo ele, existe a suspeita de que os envolvidos estejam utilizando bens ou contas de terceiros.
“A dúvida que a gente tem hoje, como é que um rapaz desse consegue manter uma vida de ostentação sem ter dinheiro em conta? Aí entra o questionamento, está utilizando bens de terceiros, contas de terceiros.”
O advogado também citou o veículo envolvido no acidente, uma Rampage Laramie, que, segundo uma cotação apresentada por ele, está avaliada em quase R$ 400 mil. Luan afirmou que a defesa das famílias pediu novas buscas patrimoniais para verificar possíveis movimentações financeiras em nome de parentes próximos dos envolvidos.
“A gente está fazendo, a família faz vaquinhas, a gente está movimentando o judiciário a todo momento, pedindo o bloqueio, mantendo todo o tempo o bloqueio, inclusive pedimos buscas em nome de terceiros para ver as movimentações de parentes próximos para saber quem é que realmente está movimentando o valor dele.”
Crianças seguem sem ajuda para tratamento
Segundo Luan Felix, as mães das crianças eram as principais provedoras da família. Após as mortes, os menores passaram a viver com parentes e precisam de acompanhamento médico e psicológico.
O advogado citou o caso de sua cliente, Maria Gabriela, que, segundo ele, desenvolveu síndrome do pânico e enfrenta abalos psicológicos relacionados ao atropelamento.
“Maria Gabriela hoje sofre de Síndrome do Pânico. Ela não consegue fazer nenhuma atividade sem chorar, sem ter abalo psicológico, sempre lembrando do momento fatídico lá do dia 4 de outubro.”
O advogado afirmou que a criança faz tratamento psicológico, mas que, até o momento da entrevista, não havia recebido custeio dos réus. Ele disse ainda que procurou a defesa dos envolvidos para discutir uma possível contribuição financeira, inclusive para cobrir despesas relacionadas ao veículo danificado no acidente.
“Essa é a imagem que eu vejo todos os dias, ela faz tratamento psicológico hoje e não tá tendo nenhum custeio por conta dos réus, não tá dando nenhuma ajuda, nem nada, eles não se solidarizam nem nada.”
Indenização e pensão estão na Justiça
Luan Felix afirmou que existem processos para buscar indenizações e pensões destinadas às crianças, inclusive até que completem 18 anos de idade. Segundo o advogado, porém, os envolvidos ainda não apresentaram um plano de pagamentos.
A Justiça do Piauí já determinou o pagamento de indenização à filha menor de Marly Ribeiro da Silva, uma das mulheres mortas no atropelamento ocorrido na BR-316, na zona Sul de Teresina.
Relembre o atropelamento na zona Sul de Teresina
O acidente ocorreu na noite de 6 de outubro de 2024. Segundo o Ministério Público do Piauí (MPPI), Stanlley dirigia o veículo de Pedro Lopes, o Lokinho, em alta velocidade e sem habilitação. Conforme a acusação, ele teria mudado de faixa bruscamente, supostamente para assustar pedestres, e atropelado Kassandra e Marly, além de deixar duas crianças gravemente feridas.
O Ministério Público sustentou que Stanlley assumiu o risco de provocar mortes e ferimentos, o que caracterizaria dolo eventual. Pedro Lopes foi acusado de cumplicidade por permitir que uma pessoa sem habilitação conduzisse o veículo.
O caso foi encaminhado ao Tribunal do Júri para julgamento por homicídio doloso consumado e lesão corporal grave. Lokinho não foi preso pelo acidente, enquanto Stanlley permaneceu detido por cinco meses. Na época da tragédia, um mecânico também foi morto durante um tumulto envolvendo os acusados.
Em março de 2025, a Justiça desclassificou a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, por entender que não havia provas suficientes para afirmar que os acusados tinham intenção de matar ou assumiram o risco de provocar as mortes. Em seguida, o Ministério Público recorreu da decisão, sustentando que existem indícios de dolo eventual.