- Câmara de Teresina realiza audiência pública para discutir impactos das obras da linha férrea no bairro Ilhotas.
- Obra de modernização da linha férrea dividiu o bairro, impedindo acesso a serviços básicos e gerando riscos de acidentes.
- Líder comunitário destaca perda de mobilidade e direito fundamental de ir e vir dos moradores do Ilhotas.
- Secretário de Transportes compromete-se a analisar pontos de estrangulamento e buscar soluções seguras para a comunidade.
- Vereador Joaquim do Arroz cobrou presença da Prefeitura e do Governo Federal em nova audiência pública.
A Câmara Municipal de Teresina realizou, na manhã desta quarta-feira, 19 de agosto, uma audiência pública propositiva comandada pelos vereadores Joaquim do Arroz e Fernando Lima para tratar dos impactos sociais e de mobilidade urbana causados pelas obras de ampliação e modernização da linha férrea que corta o bairro Ilhotas, na zona Sul da capital.
Com o avanço do empreendimento, a elevação de um muro divisório ao longo do trecho dividiu a comunidade ao meio. A barreira física impede que os moradores acessem com facilidade os serviços básicos do outro lado do bairro. Como consequência direta do bloqueio, populares vêm improvisando travessias clandestinas e inseguras sobre os trilhos, criando um sério risco de acidentes e atropelamentos.
Durante o debate, o presidente da Associação de Moradores do Bairro Ilhotas, Luis Gonzaga de Sousa, enfatizou a drástica mudança na rotina e a perda de mobilidade vivenciada pela comunidade.
"O bairro Ilhotas foi fatiado com a linha férrea. Hoje, serviços cruciais como viaturas da Polícia Militar e ambulâncias do Samu não conseguem acessar as vias com facilidade. Trata-se do direito fundamental de ir e vir dos moradores que está sendo brutalmente afetado", pontuou o líder comunitário.
Em resposta aos questionamentos da população, o diretor técnico da Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans-PI), Gustavo Aquino, explicou o escopo técnico do projeto de modernização do Metrô de Teresina e comprometeu-se a analisar os pontos de estrangulamento da travessia.
"O objetivo dessa obra é atender o maior número de passageiros por dia. Com a segunda etapa concluída, a expectativa é chegar a 48 mil passageiros por dia. Para que isso aconteça, a gente precisa duplicar a via e modernizar toda a linha. Os trilhos foram trocados para que o VLT possa percorrer todo o trajeto em um tempo menor. É impossível fazer uma obra dessa magnitude na zona urbana sem causar impactos, mas a nossa ideia é causar o mínimo de impactos possíveis e sempre olhando para o social. Eu me coloco à disposição para conversar, discutir ponto a ponto e procurarmos a melhor solução", esclareceu Gustavo Aquino.
Autor do requerimento da audiência, o vereador Joaquim do Arroz destacou que o desenvolvimento do transporte público não pode ocorrer em prejuízo à segurança e ao bem-estar dos cidadãos. Para o parlamentar, a busca por uma solução definitiva exige o alinhamento de todas as esferas governamentais.
"Reconhecemos a importância do VLT e do investimento em mobilidade para Teresina, mas nenhuma obra pode deixar a população do Ilhotas ilhada, sem acesso e correndo risco de vida em travessias clandestinas. Não podemos aceitar que um muro divida o bairro sem oferecer alternativas seguras de passagem para a comunidade", afirmou Joaquim do Arroz.
O parlamentar cobrou formalmente a ampliação do debate nas próximas fases de negociação:
"Para que possamos avançar em uma solução técnica viável e definitiva, solicitei formalmente que a Prefeitura Municipal de Teresina e o Governo Federal, por meio da União, estejam presentes na nossa próxima audiência pública. A responsabilidade urbanística precisa ser compartilhada."
Também integraram a mesa de debates e a escuta comunitária o diretor da unidade de sustentabilidade fiscal e das empresas estatais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-PI), Antônio Cavalcante; o diretor da obra do Metrô de Teresina, Felipe Mayre; e o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PI), João Ricardo Angeline, além de uma expressiva comitiva de moradores e lideranças do bairro Ilhotas.