- Enem pode adotar questões discursivas e avaliar itinerários formativos a partir de 2028.
- Exame será usado para avaliar qualidade da educação básica em 2026, substituindo o Saeb.
- Alunos da rede pública são automaticamente inscritos no Enem 2026 para maior engajamento.
- Meta de 70% de participação dos concluintes é estabelecida para a edição de 2026.
- Participação de escolas particulares deve melhorar indicadores educacionais do país.
Por Francy Teixeira
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá passar por mudanças nos próximos anos, incluindo a adoção de questões discursivas e a avaliação de conteúdos relacionados aos itinerários formativos escolhidos pelos estudantes durante o ensino médio. As possibilidades estão sendo analisadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Em entrevista exclusiva ao Meio News, o presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou que nenhuma dessas alterações será aplicada na edição de 2026. Segundo ele, parte das inovações estudadas poderá começar a ser incorporada ao exame a partir de 2028, enquanto outras mudanças devem ser implementadas somente nos anos seguintes.
QUESTÕES DISCURSIVAS
Entre as propostas avaliadas está a inclusão de perguntas que exijam respostas escritas pelos candidatos. A medida busca ampliar a capacidade do exame de verificar habilidades relacionadas à compreensão e à síntese de informações.
“Uma questão vem sendo especialmente discutida, que é o interesse de trabalhar com a compreensão leitora, pedindo que os estudantes resumam um artigo ou texto que foi lido por ele, de forma a sintetizar as ideias ali apresentadas. Mas nada que se aplique no ano que está se discutindo ou mesmo no seguinte. As discussões que estamos fazendo com inovações no teste devem começar a entrar em efeito a partir de 2028, e muitas apenas nos anos seguintes”, disse.
ITINERÁRIOS FORMATIVOS
Outra possibilidade em análise envolve os itinerários formativos, que correspondem às áreas de aprofundamento escolhidas pelos alunos dentro da estrutura do Novo Ensino Médio.
Caso a proposta avance, determinadas partes da avaliação poderão variar conforme a trajetória curricular escolhida pelo estudante. “Na prática, a inclusão dos itinerários formativos faz com que você não tenha uma prova única. Você pode ter uma grande parte da prova única e partes dessa prova ou sessões da prova eletivas”, explica Palácios.
ENEM TERÁ NOVA FUNÇÃO EM 2026
Apesar de as mudanças ainda estarem em fase de estudo, a edição de 2026 já terá uma função adicional. O exame será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro e também será utilizado para avaliar a qualidade da educação básica, substituindo o Saeb na avaliação dos alunos do terceiro ano do ensino médio.
Com a mudança, os resultados não serão destinados apenas ao acesso ao ensino superior, programas de financiamento e certificação do ensino médio. As notas também contribuirão para a elaboração de indicadores educacionais.
ALUNOS DA REDE PÚBLICA
Para ampliar a participação e garantir uma base mais abrangente de informações, todos os concluintes do ensino médio da rede pública foram inscritos automaticamente no Enem 2026.
A estratégia busca reunir mais dados sobre o desempenho dos estudantes e produzir um diagnóstico mais consistente da aprendizagem.
“O Enem produz muito mais engajamento do estudante do que o Saeb. O Saeb é uma avaliação que não tem efeito prático na vida do estudante. Já o Enem é porta de acesso a uma série de oportunidades de formação. Esse engajamento deve oferecer um diagnóstico mais preciso do que o estudante aprendeu, do que consegue fazer a partir das referências curriculares que estão em vigor”, defende Manuel Palácios.
REDE PARTICULAR
A mudança também deverá ampliar a qualidade das informações sobre as escolas particulares. Segundo Palácios, a participação desses estudantes no Saeb tem ficado abaixo do esperado, aumentando a margem de erro dos indicadores produzidos.
“Com o Enem substituindo o Saeb no terceiro ano do ensino médio, vamos ter um quadro completo da educação básica no País”.
META DE PARTICIPAÇÃO
O Inep estabeleceu como objetivo alcançar 70% de participação dos estudantes concluintes. Para isso, a quantidade de locais de aplicação deverá ser ampliada.
A expectativa apresentada pelo presidente do instituto é de que 80% dos candidatos concluintes façam a prova nas próprias escolas onde estudam.
As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao Meio News, após a participação de Manuel Palácios no VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco, em São Paulo.