Em entrevista nesta segunda-feira, 16 de março, ao programa Notícias do Dia, o deputado estadual Henrique Pires (MDB) detalhou os motivos que levaram ao rompimento da chamada “fusão cruzada” entre o MDB e o PSD na disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). Segundo o parlamentar, o acordo político previa limites na atuação das duas siglas, especialmente no que diz respeito à busca por lideranças eleitorais.
De acordo com o deputado, o entendimento inicial estabelecia que o grupo do deputado Georgiano Neto (PSD) deixaria de buscar apoio entre bases ligadas a parlamentares do MDB. No entanto, segundo ele, o compromisso não foi respeitado.
Cooptação de lideranças
Henrique Pires afirmou que o principal ponto de desgaste foi a continuidade da disputa por lideranças políticas dentro da base emedebista, o que teria quebrado a confiança entre os grupos.
O pressuposto dessa fusão cruzada era que cessasse por parte de Georgiano Neto a cooptação de lideranças de deputados estaduais do MDB estadual e de emedebistas emprestados pelo MDB para compor a chapa de federal, que são o Marcos Aurélio e Castro Neto. Infelizmente, meu amigo — e eu sou o primeiro fora da bolha da família do PSD a defender o Júlio César para o Senado —, meu amigo Georgiano continuou essa cooptação de lideranças. Olha, se na semana anterior a essa reunião ele levou lideranças do Severo Eulálio, que é presidente da Assembleia, levou lideranças do Castro Neto — que é nosso deputado federal e é filho do senador Marcelo —, imagina o que ele faz com o resto. Se ele dá uma catucada dessa no presidente da Assembleia e no Castro Neto, então ele tinha prometido que não ia mais fazer, desde a reunião na casa do João Mádison com o governador.
Cálculos eleitorais
Outro fator apontado pelo deputado foi a disputa pelo potencial eleitoral das chapas, especialmente diante da proximidade das convenções partidárias.
Segundo Henrique Pires, avaliações internas indicavam que a estratégia adotada pelo grupo do PSD poderia garantir a eleição de até cinco deputados estaduais, o que levou o MDB a rever sua posição para preservar a própria competitividade.
E não foi só isso. Estamos nas vésperas da convenção e o MDB fez as contas de que, da forma como estava sendo montada a chapa, que o grupo do Georgiano estava distribuindo votos, era para eleger cinco deputados estaduais, o que é um direito dele, assim como é um direito nosso também de autopreservação. A chapa do PSD para deputado estadual é uma chapa forte, boa, elege de 4 a 5, e o MDB ficará na sua luta de eleger 9, podendo chegar a 10. Então não terá todo esse prejuízo, é mais um alarde.
Motivo do rompimento
Para o parlamentar, o momento escolhido para a ruptura foi consequência direta da disputa interna por bases eleitorais entre os partidos aliados.
Ele afirmou que a decisão foi tomada diante do que classificou como pressão sobre lideranças do MDB para buscar apoio fora da sigla.
Se for para escolher momento de rompimento, o rompimento foi pelo assédio deles, nessa base, de que se buscassem votos noutro partido e não dentro do MDB.