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Piauí acumula mais de R$ 10 bilhões em prejuízos causados por desastres naturais em 13 anos

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os municípios continuam sendo os primeiros a enfrentar as consequências dos eventos climáticos, mas nem sempre contam com o suporte financeiro necessário para agir rapidamente.

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  • Desastres naturais causaram R$ 10 bilhões em prejuízos no Piauí entre 2013 e 2025, de acordo com a CNM.
  • A seca é o principal responsável pelos danos econômicos e sociais no estado, afetando regiões dependentes da agricultura e abastecimento hídrico.
  • 19 pessoas morreram e 16.835 ficaram desabrigados em decorrência dos eventos climáticos entre 2013 e 2025.
  • O governo federal destinou apenas R$ 9,5 bilhões para ações de proteção e defesa civil, enquanto os prejuízos acumulados chegaram a R$ 785,4 bilhões.
Tragédia que abalou o Parque Rodoviário em Teresina no ano de 2019. | TV MEIO NORTE

Os desastres naturais provocaram um rombo superior a R$ 10 bilhões no Piauí entre 2013 e 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O estado figura entre os mais afetados pelos efeitos da seca e da estiagem, fenômenos que continuam sendo os principais responsáveis pelos prejuízos econômicos e sociais registrados ao longo do período.

Os números fazem parte de um estudo nacional que aponta uma grande diferença entre os danos acumulados pelos municípios brasileiros e os recursos efetivamente destinados pela União para ações de proteção e defesa civil.

PREJUÍZO BILIONÁRIO

De acordo com os dados, o Piauí contabilizou R$ 10,03 bilhões em perdas relacionadas a desastres naturais nos últimos 13 anos.

Desse total, R$ 6,51 bilhões correspondem a prejuízos privados, que incluem perdas na agricultura, pecuária, comércio e patrimônio da população. Outros R$ 2,57 bilhões referem-se a danos ao patrimônio público, como estradas, escolas, unidades de saúde e demais estruturas administradas pelos municípios.

O levantamento também aponta que os danos habitacionais chegaram a R$ 947,2 milhões, refletindo impactos em residências atingidas por eventos climáticos extremos.

SECA É A PRINCIPAL AMEAÇA

A estiagem continua sendo o fenômeno climático que mais afeta os municípios piauienses. Entre 2013 e 2025, foram registrados 2.643 decretos relacionados à seca ou estiagem no estado.

Já os eventos associados ao excesso de chuvas resultaram em 122 decretos de emergência ou calamidade pública no mesmo período.

Os dados evidenciam a vulnerabilidade do Piauí diante das mudanças climáticas, especialmente em regiões dependentes da atividade agropecuária e do abastecimento hídrico.

IMPACTO NA POPULAÇÃO

Além das perdas econômicas, os desastres naturais também afetaram milhares de pessoas em todo o estado.

Segundo a CNM, 19 pessoas morreram em decorrência desses eventos entre 2013 e 2025. No mesmo período, 16.835 moradores ficaram desabrigados, enquanto 62.621 precisaram deixar suas casas temporariamente, sendo classificados como desalojados.

Os números refletem os impactos diretos dos eventos climáticos sobre a vida das famílias piauienses, especialmente em municípios que enfrentam repetidos episódios de seca prolongada ou fortes chuvas.

RECURSOS INSUFICIENTES

O estudo aponta ainda que os recursos destinados para prevenção e resposta a desastres estão longe de acompanhar o tamanho dos prejuízos registrados pelos municípios brasileiros.

Em todo o país, as perdas acumuladas chegaram a R$ 785,4 bilhões entre 2013 e 2025. No entanto, as transferências federais para ações de proteção e defesa civil somaram apenas R$ 9,5 bilhões, o equivalente a cerca de 1,2% dos danos contabilizados.

Outro problema identificado pela entidade é a demora na liberação dos recursos. Embora o governo federal tenha reservado R$ 19,1 bilhões para a área no período analisado, apenas uma parcela desse valor foi efetivamente paga aos municípios.

ALERTA DOS MUNICÍPIOS

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os municípios continuam sendo os primeiros a enfrentar as consequências dos eventos climáticos, mas nem sempre contam com o suporte financeiro necessário para agir rapidamente.

“Por estarem na linha de frente da gestão de riscos e do gerenciamento de desastres, os Municípios lidam com as consequências diretas, como perdas humanas, deslocamento forçado de famílias, destruição de bens públicos e privados, interrupção de serviços essenciais e degradação ambiental. É necessária a destinação adequada e ágil de recursos e programas permanentes de capacitação técnica”, afirmou.

CENÁRIO PREOCUPANTE

A CNM avalia que a tendência é de aumento na frequência e intensidade dos eventos extremos nos próximos anos. Diante desse cenário, a entidade defende mais investimentos em prevenção, fortalecimento da defesa civil municipal e capacitação técnica para reduzir os impactos econômicos e sociais provocados pelos desastres naturais.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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