- O pastor Etniel Anchieta filiou-se ao PSD e disputará vaga na Câmara Federal.
- A pré-candidatura de Etniel vinha sendo construída pelo Republicanos, mas ele migrou para o PSD após influência de lideranças religiosas.
- O Republicanos reagiu à decisão de Etniel com críticas e questionou alianças futuras, incluindo apoio ao deputado Júlio César Lima do PSD.
- A presidente estadual do Republicanos, Alessya Xavier, criticou a condução das articulações políticas envolvendo o caso e reforçou que seu partido não aceitará papel secundário nas articulações.
O pastor e militar Etniel Anchieta anunciou, na manhã desta terça-feira (5), sua filiação ao PSD com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara Federal. A movimentação, no entanto, surpreendeu o meio político, já que sua pré-candidatura vinha sendo construída há meses pelo Republicanos.
O anúncio foi feito publicamente pelo deputado estadual Tiago Vasconcelos e pelo ex-governador Wilson Martins, aliados próximos de Etniel.
ESTRATÉGIA ELEITORAL
Ao comentar a decisão, Etniel destacou que sua atuação política está voltada principalmente para dois segmentos: a Polícia Militar e o público evangélico. Segundo ele, houve influência direta de lideranças religiosas no novo caminho partidário.
No meio evangélico, já existia um entendimento prévio de apoio ao deputado Georgiano Neto, firmado anteriormente pelo pastor presidente Besaleel. Diante da preferência por um nome ligado à igreja, ganhou força a ideia de que Etniel migrasse para um partido com melhores condições eleitorais.
Além disso, pesou na decisão a relação política já consolidada com Wilson Martins e Tiago Vasconcelos, construída desde a primeira eleição de Lilian Martins.
O pré-candidato, através de sua assessoria, sinalizou que atendeu às orientações de líderes religiosos e, ao mesmo tempo, buscou uma legenda onde há perspectiva concreta de eleição ou, ao menos, de alcançar a primeira suplência, com projeção entre 20 mil e 25 mil votos.
Etniel também confirmou que o Republicanos foi informado previamente sobre sua saída.
REAÇÃO DO REPUBLICANOS
A mudança, porém, provocou forte reação dentro do Republicanos. Procurada, a presidente estadual da sigla, Alessya Xavier, adotou um tom crítico e levantou dúvidas sobre alianças futuras, inclusive em relação ao apoio ao deputado Júlio César Lima, do PSD.
“O Republicanos segue trabalhando com seriedade, coerência e lealdade — valores que norteiam todas as nossas decisões. Se essa for a decisão definitiva do senhor Etiniel, desejamos boa sorte. Mas é importante registrar: o Republicanos foi o único partido que acreditou e abriu espaço para ele desde o início”, afirmou.
Ela também ressaltou que o partido ainda não deliberou oficialmente sobre apoio ao Senado:
“Sobre o apoio ao deputado Júlio César, o partido ainda não deliberou oficialmente. Temos um princípio claro: decisões estratégicas são construídas coletivamente, com responsabilidade, para que não haja recuos nem desgaste de credibilidade.”
TENSÃO NOS BASTIDORES
Alessya Xavier foi além e criticou diretamente a condução das articulações políticas envolvendo o caso.
“No entanto, como presidente, não posso deixar de pontuar algo com absoluta franqueza. Tratei pessoalmente desse movimento com o deputado Georgiano, na Sexta-feira Santa, e fui clara ao afirmar que considero inaceitável o assédio a pré-candidatos do Republicanos — especialmente porque ele participou de várias reuniões conosco e nós, tratando-o como aliado abrimos toda nossa composição de chapa, estrutura e os nomes do nosso partido.”
A dirigente também destacou que vinha buscando alinhar o partido às diretrizes do governador no cenário estadual, mas apontou quebra de confiança no processo:
“Fiz diversas reuniões com líderes da nossa base para buscar alinhar nosso grupo às orientações do governador Rafael no que diz respeito ao Senado. Mas política se faz com respeito. E quando esse respeito é quebrado, as consequências são inevitáveis.”
RECADO AO PSD
Em tom firme, Alessya reforçou que o partido não aceitará papel secundário nas articulações:
“O Republicanos não aceita ser tratado como coadjuvante nem como partido de passagem. Saberemos reagir à altura, com a firmeza que o momento exige.”
Ela ainda deixou claro que a posição é pessoal, mas será levada ao debate interno da legenda:
“Registro que esta é minha posição pessoal, que levarei ao debate interno do partido.”
Por fim, fez críticas diretas à forma como o PSD conduziu o movimento e mencionou o nome de Wilson Martins:
“Se o PSD tivesse conversado de forma honesta e nos provado que para a estratégia da base esse era um movimento importante não haveria problema. Mas cada um tem um jeito de agir. Prefiro dormir com a consciência tranquila.”
E, para finalizar, espero sinceramente que o PSD não tenha a desfaçatez de tentar atribuir esse movimento ao ex-governador Wilson Martins, recém-chegado ao partido, como se tivesse autonomia para conduzir uma articulação dessa natureza. Porque pior do que agir com deslealdade é tentar subestimar a inteligência dos seus pares.