Escrito por Eliaquim de Paula
A crise no transporte público de Teresina ganhou novos contornos após a apresentação de propostas por parte das empresas do setor ao Executivo municipal. Segundo o jornalista Francy Teixeira, o plano inclui a ampliação da frota para até 300 ônibus, mas esbarra em um ponto crucial: o alto custo para viabilizar a medida diante das atuais condições financeiras da prefeitura.
“Nas condições atuais, inclusive em relação às finanças da Prefeitura de Teresina, é uma proposta que é considerada insolvente pelo Executivo Municipal”, destacou Francy, ao detalhar que o aumento no subsídio ultrapassaria a marca de R$ 110 milhões por ano destinados ao sistema.
Durante o programa, o jornalista Amadeu Campos relembrou que o problema é antigo e vem se agravando ao longo das últimas gestões. “Não tem novidade nisso. Isso já foi previsto, não foi por falta de aviso”, afirmou, ao citar que o modelo atual começou a se deteriorar ainda na década passada, especialmente após decisões que impactaram diretamente a arrecadação do sistema.
Amadeu também pontuou o desafio enfrentado pela atual gestão municipal para equilibrar as contas públicas. “Como é que ele vai pegar mais 5 milhões do município de Teresina, que não tem dinheiro para coletar lixo, que não tem dinheiro para tapar buraco e botar no transporte?”, questionou, destacando o dilema fiscal enfrentado pela prefeitura.
A jornalista Apoliana Oliveira chamou atenção para a complexidade do tema e para a necessidade de mudanças mais profundas no modelo atual. “Eu não sou contra subsidiar transporte público agora, como é feito aqui em Teresina, eu não acredito que funcione da forma como está hoje”, disse. Ela ainda apontou alternativas como a municipalização do serviço ou a substituição das empresas que operam atualmente.
Já Arimateia Carvalho ressaltou que o subsídio ao transporte público não é exclusividade de Teresina, mas alertou para a necessidade de retorno efetivo à população. “Você subsidiar e o dinheiro que você está dando não ser revertido em frota nova é rasgar o dinheiro público”, afirmou, reforçando a cobrança por eficiência e transparência na aplicação dos recursos.