- Deputado Gessivaldo Isaías avalia candidatura à Câmara Municipal de Teresina em 2028 após não ser reeleito na Alepi.
- Resultado eleitoral em Teresina demonstra base eleitoral do parlamentar, reforçando sua permanência no MDB.
- Comentaristas destacam necessidade de reorganizar estratégia eleitoral após fracasso na reeleição estadual.
- Desempenho de candidatos evangélicos foi analisado, com destaque para dispersão de votos entre diferentes lideranças.
- MDB deve definir posição sobre candidatura de Gessivaldo em 2028, considerando seu desempenho na capital.
Escrito por Eliaquim de Paula
O deputado estadual Gessivaldo Isaías (MDB) já considera disputar uma vaga na Câmara Municipal de Teresina em 2028, após não conseguir a reeleição para a Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) nas eleições de 2026. Com pouco mais de 16 mil votos, sendo quase 10 mil na capital, o parlamentar avalia o resultado como um ativo político para uma possível candidatura municipal. O assunto foi discutido nesta quarta-feira (14), no programa Jogo do Poder, da Rede Meio Norte, após o deputado sinalizar que pretende continuar no MDB e que caberá à sigla definir os próximos passos.
Deputado destaca votação em Teresina
Ao comentar o resultado das urnas, Gessivaldo afirmou que a votação obtida demonstra que mantém uma base eleitoral na capital. O parlamentar também reforçou sua permanência no MDB e o alinhamento político com o governador Rafael Fonteles (PT).
“A Bíblia diz que o futuro está na mão de Deus. Mas, politicamente falando, nós temos certeza que 16 mil votos é peso. E outra coisa, Teresina deu quase 10 mil votos para o deputado Gessivaldo. Então isso demonstra que tem voto orgânico em Teresina ainda”, afirmou.
O deputado acrescentou que pretende seguir as decisões partidárias e lembrou que, desde sua entrada no MDB, declarou apoio ao governador. Segundo ele, o partido terá papel central na definição de seu futuro político.
Votação não garantiu permanência na Alepi
Durante o Jogo do Poder, o comentarista Eliézer Rodrigues destacou que Gessivaldo esperava conquistar a reeleição, mas terminou a disputa como quarto suplente do MDB, partido que elegeu oito deputados estaduais.
Para Eliézer, o parlamentar agora precisa reorganizar sua estratégia eleitoral e avaliar os espaços políticos que poderá ocupar nas próximas eleições municipais.
“O fato é que o deputado Gessivaldo agora recalcula a rota e considera o pleito daqui a dois anos”, comentou.
O comentarista também avaliou que a votação obtida em 2026 não seria suficiente para assegurar uma eleição em outras siglas, mesmo diante de convites que o deputado teria recebido. Na avaliação dele, permanecer no MDB mantém Gessivaldo ligado à base política do governador Rafael Fonteles, mas o parlamentar precisará planejar os próximos passos considerando o cenário de 2028.
Comentaristas analisam perda de apoio entre evangélicos
Outro ponto debatido no programa foi o desempenho eleitoral de candidatos ligados a igrejas evangélicas. O comentarista Arimatéia Carvalho avaliou que, apesar de Gessivaldo manter atuação social e presença religiosa, ele não teria contado com o mesmo nível de mobilização de lideranças religiosas observado em eleições anteriores.
Arimatéia comparou o cenário ao enfrentado pelo vereador Levino, de Teresina, e afirmou que a dispersão dos votos entre diferentes candidatos ligados ao segmento religioso pode ter prejudicado a votação do deputado. Apesar disso, avaliou que Gessivaldo tem condições de disputar uma vaga na Câmara Municipal.
“Agora eu acho o Gessivaldo forte para vereador e acho que se ele for candidato a vereador tem, por conta própria, por raia própria, independente de igreja, ele tem chance de ser eleito sim”, afirmou.
A comentarista Francy Teixeira acrescentou que a mudança no comportamento eleitoral dos evangélicos não se restringe ao Piauí. Segundo ela, parte desse eleitorado tem priorizado candidatos identificados com posições ideológicas, em vez de escolher necessariamente nomes vinculados às próprias igrejas.
Como exemplo, Francy mencionou a votação de candidatos de direita nas eleições estaduais de 2026, incluindo Frida da Direita, do Partido Liberal (PL), que ultrapassou 10 mil votos.
MDB deve avaliar possível candidatura em 2028
Durante a discussão, o comentarista Ananias Ribeiro também citou a dificuldade de concentrar os votos do eleitorado evangélico em um único candidato. Ele mencionou os desempenhos de Gessivaldo e da vereadora Ana Fidelis, que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.
Eliézer Rodrigues observou que Ana Fidelis havia recebido mais de 20 mil votos em sua candidatura a deputada federal em 2022, mas obteve pouco mais de 10 mil em 2026, mesmo já exercendo mandato de vereadora.
Ao final do debate, Ananias destacou que, apesar de não ter conquistado a reeleição estadual, Gessivaldo manteve uma votação expressiva em Teresina e poderá buscar espaço dentro do MDB para a próxima disputa municipal.
A eventual candidatura à Câmara Municipal, no entanto, dependerá das articulações políticas e das definições do partido para as eleições de 2028.