- Proposta permite uso opcional da Bíblia em escolas municipais de Teresina.
- Comentaristas avaliam risco jurídico por envolver princípio do Estado laico.
- Vereador Geraldo Jarques usa tema religioso como estratégia política.
- Apresentador defende que Bíblia não deve ser usada como material didático.
- Jornalista acredita que debate sobre Bíblia é desnecessário em contexto atual.
No Jogo do Poder desta quarta-feira (05), os comentaristas analisaram a proposta que tramita na Câmara Municipal de Teresina para permitir o uso opcional da Bíblia como material didático e fonte de pesquisa histórica nas escolas da rede municipal. Além da discussão sobre a constitucionalidade do projeto, o debate se concentrou no impacto político de iniciativas que mobilizam temas religiosos em ano eleitoral.
O jornalista Ari Carvalho afirmou que a proposta deve enfrentar dificuldades jurídicas por envolver um tema relacionado ao princípio do Estado laico. Para ele, a matéria dificilmente avançará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). "É inconstitucional, o Brasil é um Estado laico, não é possível que a Câmara aprove. Eu acho que na CCJ, que é a Comissão do Legislativo que avalia se a matéria é constitucional ou não, não sobrará dúvida que ela é inconstitucional", afirmou.
Ari também avaliou que propostas desse tipo acabam funcionando como instrumento de projeção política. Segundo ele, o vereador Geraldo Jarques, candidato a deputado federal, utiliza um tema que gera forte repercussão nas redes sociais. "Esse tipo de projeto tem engajamento, então ele está fazendo ali um jogo político, porque ele é candidato", comentou.
Durante a discussão, o apresentador Amadeu Campos defendeu o respeito às diferentes crenças religiosas e afirmou que não considera adequada a adoção de um livro religioso específico como referência didática na escola pública. "Agora você imagina se chega lá, não, agora vamos botar o Corão como um livro didático. Vamos botar o Evangelho de Allan Kardec. Não faz sentido. E tanta coisa que a gente tem, mobilidade urbana, transporte, saúde pública, educação, para ser discutido sinceramente", declarou.
A jornalista Apoliana Oliveira lembrou que existe uma proposta semelhante em tramitação na Câmara dos Deputados, mas considerou desnecessário abrir esse debate no cenário atual. "Não está na hora de se discutir isso e eu acredito que não é nem necessário se discutir isso. Não é dentro da sala de aula que a Bíblia deve ser ensinada. Isso é uma questão para que cada religião coloque seus pontos, seus livros, sua história dentro do ambiente da igreja, da missa, da catequese ou da escola bíblica", afirmou.
Ao encerrar o debate, Amadeu Campos voltou a defender que o projeto dificilmente prosperará na esfera jurídica. "Não há qualquer possibilidade de prosperar em tribunais, porque mesmo que haja um apelo populista, tecnicamente não tem como prosperar, simplesmente isso", concluiu.