- O presidente do TCE-PI, Kennedy Barros, afirmou que uma auditoria identificou as principais causas da crise no transporte público de Teresina.
- A auditoria determinou que o desequilíbrio entre arrecadação e custos é a principal causa da crise, com necessidade de subsídio para garantir o funcionamento do sistema.
- O presidente destacou que investimentos relevantes foram feitos na estrutura do sistema, como corredores exclusivos e pontos de parada, baseados em estudos de engenharia de tráfego.
- A pandemia agravou a crise, além de mudanças de gestão que impactaram o funcionamento do sistema.
Escrito por Eliaquim de Paula
O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), Kennedy Barros, afirmou que uma auditoria realizada pelo órgão identificou as principais causas da crise no transporte público de Teresina, com destaque para o desequilíbrio entre arrecadação e custos e a necessidade de subsídio para garantir o funcionamento do sistema. A declaração foi feita nesta terça-feira (05), durante entrevista ao programa Jogo do Poder.
Auditoria no sistema
Segundo Kennedy Barros, a análise foi determinada no início de sua gestão, em 2023, diante da situação crítica enfrentada pelo transporte coletivo da capital.
“Eu quando assumi a presidência do Tribunal, em 1º de janeiro de 23, determinei que fosse feita uma auditoria do sistema de transporte público de Teresina. Ele estava um caos, na realidade nem o serviço tinha”, afirmou.
O estudo técnico avaliou dados desde 2014 e buscou identificar os fatores que levaram à crise, agravada durante a pandemia.
Estrutura e planejamento
O presidente destacou que houve investimentos relevantes na estrutura do sistema, como corredores exclusivos e pontos de parada, baseados em estudos de engenharia de tráfego.
“Nada aquilo foi do acaso, aquilo foi feito um estudo de engenharia de tráfego e chegou à conclusão que a melhor solução é aquela”, disse, ao mencionar que o modelo segue padrões adotados em outras capitais.
Impacto da pandemia
De acordo com a auditoria, o sistema começou a operar pouco antes da pandemia, o que comprometeu sua consolidação, além de mudanças de gestão que também impactaram o funcionamento.
“Quando você começou a operar o novo sistema, houve o problema da pandemia, que perdurou durante um longo tempo, e houve aí a troca de gestão”, explicou.
Desequilíbrio financeiro
Um dos principais pontos identificados foi o desequilíbrio financeiro. Segundo o presidente, o sistema arrecadava cerca de R$ 9 milhões, enquanto os custos mensais chegavam a aproximadamente R$ 14 milhões.
“Uma arrecadação de 9 não cobre os custos de 15. Qual é a solução para isso? Só tem duas”, afirmou.
Subsídio como solução
O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) destacou que o aumento da tarifa não é uma alternativa viável, especialmente para a população que depende do transporte público.
“Não há como resolver o problema de transporte coletivo sem subsídio”, declarou, ao reforçar que o financiamento público é essencial para manter o sistema.
Queda na arrecadação
Entre os fatores que impactam a receita, Kennedy citou o crescimento de aplicativos de transporte, o aumento do uso de motocicletas e a concessão de gratuidades sem compensação financeira.
“Tudo isso diminui a receita e, consequentemente, fragiliza a qualidade do funcionamento”, pontuou.
Situação atual
Apesar dos desafios, o presidente afirmou que houve avanços após o período mais crítico da pandemia, com ajustes e início de subsídios, mas destacou que o sistema ainda não atingiu o nível ideal.
“O serviço existe, melhorou em relação ao tempo da pandemia porque ajustes foram feitos, já há algum subsídio, mas o ideal ainda não chegou. Precisa ser subsidiado para poder funcionar bem”, concluiu.